O que Flávio ganha com apoio de Caiado e Zema
Candidato tem o trunfo de mostrar pessoas com experiências diferentes unindo-se a ele, algo que falta a Lula
O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado dará seu apoio ao candidato a presidente Flávio Bolsonaro (foto) nesta terça, 6.
Na segunda, 5, o ex-governador de Minas Gerais já tinha tomado a mesma iniciativa.
Esses gestos políticos praticamente não mudam os cálculos para o segundo turno, em que Flávio já aparece como favorito.
Os eleitores pensam por conta própria. Eles não esperam que seus candidatos lhes digam em quem eles devem votar no segundo turno.
A transferência de votos é sempre automática.
Segundo o Datafolha, Flávio deve herdar 54% dos votos de Caiado e 60% dos votos de Zema no segundo turno.
Isso independe das declarações deles.
Um movimento parecido aconteceu em 2022, quando Jair Bolsonaro herdou 7 de cada 10 votos para candidatos da terceira via, que incluía Simone Tebet e Ciro Gomes.
Valor simbólico
As declarações de voto, contudo, têm um valor simbólico importante para as narrativas de campanha.
Um dos principais desafios de Flávio tem sido se mostrar como alguém moderado, diferente do seu pai, Jair.
Fernanda Bolsonaro, sua esposa, disse em abril que teria "reeducado" o marido em uma peça publicitária.
Caiado e Zema não são bolsonaristas e podem ajudar a atenuar a imagem de radical, que Lula tenta colar em Flávio.
Lula passou a campanha dizendo que Flávio é um miliciano com uma "biografia tenebrosa", apoiado pelo crime organizado e pelo presidente americano Donald Trump.
Ao se colocar ao lado de Caiado e Zema, Flávio se blinda contra esses ataques do petista.
Caiado e Zema não são bolsonaristas e têm larga experiência comandando governos estaduais, habilidade que falta para Flávio.
Flávio ainda consegue criar em torno de si a imagem de que pessoas com várias experiências estão se unindo em torno dele.
É uma imagem poderosa, que pode conquistar aqueles eleitores que votam "em manada", pois são mais inclinados a optar pelo candidato com mais chance de ganhar.
Esse é um trunfo que Lula não tem.
Ao submeter toda a esquerda aos seus propósitos pessoais, Lula eliminou todas as alternativas em seu campo ideológico.
Se Flávio tem capacidade para atrair aliados, Lula vai continuar aparecendo sozinho. Não há quem possa aparecer agora dando apoio ao petista.
Isolado, Lula terá ainda menos chances de convencer o eleitor independente de que o radical é o outro, e não ele.
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