Crusoé
21.07.2026 Fazer Login Assinar
Crusoé
Crusoé
Fazer Login
  • Acervo
  • Edição diária
Edição Semanal
Pesquisar
crusoe

X

  • Olá! Fazer login
Pesquisar
  • Acervo
  • Edição diária
  • Edição Semanal
  • Entrevistas
  • O Caminho do Dinheiro
  • Ilha de Cultura
  • Leitura de Jogo
  • Poder
  • Colunistas
  • Assine já
    • Princípios editoriais
    • Central de ajuda ao assinante
    • Política de privacidade
    • Termos de uso
    • Política de Cookies
    • Código de conduta
    • Política de compliance
    • Baixe o APP Crusoé
E siga a Crusoé nas redes
Facebook Twitter Instagram
Diários

Muito além do novo tarifaço de Trump

Brasil perdeu a capacidade de antecipar o risco regulatório global e gerenciar assimetrias em mercados maduros

avatar
Márcio Coimbra
5 minutos de leitura 02.06.2026 10:23 comentários 0
Muito além do novo tarifaço de Trump
Donald Trump. Foto: Daniel Torok/Casa Branca
  • Whastapp
  • Facebook
  • Twitter
  • COMPARTILHAR

O tabuleiro do comércio global acaba de sofrer um realinhamento profundo, e o Brasil, lamentavelmente, moveu-se tarde demais para evitar as ações desenhadas em Washington.

A confirmação de que o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, o USTR, concluiu a investigação sob a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, recomendando uma tarifa punitiva de 25% sobre uma vasta gama de produtos brasileiros, não é apenas um revés econômico de proporções severas.

Representa o ápice de um diagnóstico preciso do amadurecimento institucional do protecionismo da administração Trump e, simultaneamente, expõe as fragilidades crônicas da atual condução da nossa diplomacia corporativa e governamental.

Para quem dirigiu a complexa engrenagem da promoção de exportações e a atração de investimentos no ecossistema da Apex Brasil, posso afirmar que o anúncio traz lições amargas sobre como o país perdeu a capacidade de antecipar o risco regulatório global e gerenciar assimetrias em mercados maduros.

Diferente do açodado tarifaço linear de 2025, que acabou naufragando nos tribunais constitucionais americanos devido ao seu caráter declaradamente político de retaliação ideológica, a investida atual liderada por Jamieson Greer possui uma blindagem técnica sofisticada.

Ao ancorar as novas penalidades nas conclusões formais da Seção 301, o governo americano ergueu barreiras de difícil reversão jurídica ou diplomática.

O USTR dissecou o ambiente de negócios brasileiro para justificar as sanções, apontando seis frentes estruturais que considera práticas comerciais injustas: as barreiras ao comércio digital, as assimetrias na regulação de serviços de pagamento eletrônico, as distorções em tarifas preferenciais, a histórica morosidade na proteção à propriedade intelectual, as perenes disputas sobre o acesso ao mercado de etanol e, em um lance de puro pragmatismo político, o desmatamento ilegal.

Ao sequestrar a narrativa ambiental para transformá-la em argumento de dumping ecológico, Washington desarmou a retórica tradicional de Brasília, provando que a defesa dos interesses comerciais americanos não possui amarras ideológicas.

O desenho cirúrgico da nova lista de sobretaxas revela a face mais nítida da realpolitik americana e nos oferece um espelho de nossas próprias dependências.

Ao poupar setores estratégicos como o aeroespacial — preservando a cadeia de valor integrada da Embraer —, além de combustíveis fósseis, minerais críticos, café e carne bovina, os formuladores da política em Washington protegeram sua própria indústria e o bolso de seus eleitores contra pressões inflacionárias.

Onde o Brasil possui indispensabilidade estrutural nas cadeias globais de suprimentos, o pragmatismo de Trump prevaleceu.

Onde somos substituíveis ou politicamente vulneráveis, fomos atingidos.

Porém, vale apontar que o governo brasileiro contribuiu com sua retórica antiamericana e, ao mesmo tempo, foi incapaz de deter o processo dentro do prazo político negociado nos bastidores, algo que escancara o fato de que a nossa diplomacia pública perdeu densidade técnica e canais de interlocução de alto nível com o coração do poder decisório americano.

Linkage diplomacy

Para agravar o cenário, a diplomacia corporativa nacional agora precisa lidar com um fenômeno complexo de contaminação de agendas, a chamada linkage diplomacy. A classificação de facções criminosas domésticas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), como organizações terroristas internacionais sob a ótica de Washington demonstra que a governança econômica foi irremediavelmente fundida à agenda de segurança nacional dos Estados Unidos.

O comércio deixou de ser uma via de negociação estritamente tarifária para se transformar em moeda de troca geopolítica. Um tabuleiro em que Brasília tem dificuldade de se mover.

Diante desse cenário de terra arrasada no plano das relações entre governos, o Brasil precisa redesenhar imediatamente sua estratégia de defesa comercial, devolvendo o protagonismo à diplomacia corporativa privada e ao diálogo entre setores produtivos.

Quando o canal entre governos falha por saturação ideológica ou desalinhamento de visões de mundo, cabe ao ecossistema empresarial assumir a liderança das narrativas.

O empresariado brasileiro, em coordenação com as associações setoriais de exportação, precisa descer à arena de Washington não para fazer discursos soberanistas abstratos, mas para demonstrar, com dados econômicos rigorosos, como o encarecimento de 25% nos produtos brasileiros afetará a competitividade dos próprios distribuidores, indústrias e consumidores americanos que dependem das nossas manufaturas e insumos industriais intermediários.

A lição que a Seção 301 nos impõe em 2026 é clara e urgente: a inserção internacional do Brasil não pode ficar à mercê de voluntarismos políticos ou de uma leitura anacrônica das forças que movem as grandes potências.

O protecionismo contemporâneo não se combate apenas com chancelarias e notas de repúdio, mas com inteligência comercial, previsibilidade jurídica e uma presença ativa e sofisticada dentro dos centros onde as regras do jogo global são escritas.

Se o país não compreender que a eficiência interna e a estabilidade regulatória são as nossas melhores defesas comerciais no exterior, continuaremos assistindo, passivos, à erosão dos mercados que levamos décadas para conquistar.

 

Márcio Coimbra é CEO da Casa Política e presidente-executivo do Instituto Monitor da Democracia

X: @mcoimbra

 

As opiniões dos colunistas não necessariamente refletem as de Crusoé e O Antagonista

Diários

Rodri contraria o rótulo de jogador burocrático

João Pedro Farah Visualizar

Ex-prefeito de Salvador será 1º suplente de Jaques Wagner na chapa ao Senado

Guilherme Resck Visualizar

Vídeo de Michelle foi "imaturidade", diz Eduardo

Redação Crusoé Visualizar

PF cumpre mandado de busca e apreensão contra "Careca do INSS"

Guilherme Resck Visualizar

Ucrânia diz que Brasil pode ter "papel sério" para fim da guerra

Redação Crusoé Visualizar

As esquisitices do plano de Renan Santos

Duda Teixeira Visualizar

Mais Lidas

A saga do banqueiro progressista amigo de Lula

A saga do banqueiro progressista amigo de Lula

Visualizar notícia
Biden brasileiro tem medo de debate

Biden brasileiro tem medo de debate

Visualizar notícia
Celina Leão lidera corrida pelo governo do DF, aponta pesquisa

Celina Leão lidera corrida pelo governo do DF, aponta pesquisa

Visualizar notícia
Flávio opta pela radicalização

Flávio opta pela radicalização

Visualizar notícia
Haddad tenta se afastar de Vorcaro

Haddad tenta se afastar de Vorcaro

Visualizar notícia
Infantino puxa Trump pelo braço durante entrega da taça da Copa

Infantino puxa Trump pelo braço durante entrega da taça da Copa

Visualizar notícia
Lula confunde "saúde" com "educação"

Lula confunde "saúde" com "educação"

Visualizar notícia
Mais uma pesquisa indica a debandada de Flávio

Mais uma pesquisa indica a debandada de Flávio

Visualizar notícia
O futebol ainda pertence a quem quer a bola

O futebol ainda pertence a quem quer a bola

Visualizar notícia
O vexame argentino após a derrota

O vexame argentino após a derrota

Visualizar notícia

Tags relacionadas

Diplomacia

Donald Trump

Lula

tarifaço

< Notícia Anterior

Flávio diz que pediu a Trump para não taxar empresas brasileiras

02.06.2026 00:00 | 4 minutos de leitura
Visualizar
Próxima notícia >

Ouro destrona títulos dos EUA nas reservas mundiais

02.06.2026 00:00 | 4 minutos de leitura
Visualizar
author

Márcio Coimbra

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (0)

Torne-se um assinante para comentar

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (0)


Notícias relacionadas

Rodri contraria o rótulo de jogador burocrático

Rodri contraria o rótulo de jogador burocrático

João Pedro Farah
21.07.2026 18:22 3 minutos de leitura
Visualizar notícia
Ex-prefeito de Salvador será 1º suplente de Jaques Wagner na chapa ao Senado

Ex-prefeito de Salvador será 1º suplente de Jaques Wagner na chapa ao Senado

Guilherme Resck
21.07.2026 17:02 4 minutos de leitura
Visualizar notícia
Vídeo de Michelle foi "imaturidade", diz Eduardo

Vídeo de Michelle foi "imaturidade", diz Eduardo

Redação Crusoé
21.07.2026 16:44 3 minutos de leitura
Visualizar notícia
PF cumpre mandado de busca e apreensão contra "Careca do INSS"

PF cumpre mandado de busca e apreensão contra "Careca do INSS"

Guilherme Resck
21.07.2026 16:42 2 minutos de leitura
Visualizar notícia

Variedades

Ver mais

Novo tratamento contra o câncer é aprovado pela Anvisa

Novo tratamento contra o câncer é aprovado pela Anvisa

Visualizar notícia
Derrota para CazéTV na Copa do Mundo acende alerta na Globo para 2030

Derrota para CazéTV na Copa do Mundo acende alerta na Globo para 2030

Visualizar notícia
Antes de acertar os últimos cinco campeões da Copa do Mundo, EA errou feio em 2006

Antes de acertar os últimos cinco campeões da Copa do Mundo, EA errou feio em 2006

Visualizar notícia
Polícia de São Paulo ganha reforço de R$ 25 milhões após autorização da justiça

Polícia de São Paulo ganha reforço de R$ 25 milhões após autorização da justiça

Visualizar notícia
Após fracasso nas vendas, montadora japonesa tira SUV elétrica do mercado

Após fracasso nas vendas, montadora japonesa tira SUV elétrica do mercado

Visualizar notícia
Enquanto Ancelotti ganha R$ 60 milhões, treinadores finalistas da Copa do Mundo ganham menos da metade

Enquanto Ancelotti ganha R$ 60 milhões, treinadores finalistas da Copa do Mundo ganham menos da metade

Visualizar notícia

Crusoé
o antagonista
Facebook Twitter Instagram

Acervo Edição diária Edição Semanal

Redação SP

Av Paulista, 777 4º andar cj 41
Bela Vista, São Paulo-SP
CEP: 01311-914

Acervo Edição diária

Edição Semanal

Facebook Twitter Instagram

Assine nossa newsletter

Inscreva-se e receba o conteúdo de Crusoé em primeira mão

Crusoé, 2026,
Todos os direitos reservados
Com inteligência e tecnologia:
Object1ve - Marketing Solution
Quem somos Princípios Editoriais Assine Política de privacidade Termos de uso