Moraes dá 24 horas para Bolsonaro explicar por que tinha arma de fogo em prisão
Arma do ex-presidente foi apreendida pela Polícia Civil do Distrito Federal com servidor do Gabinete de Segurança Institucional
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu prazo de 24 horas, nesta terça-feira, 16, para que a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) preste esclarecimentos sobre uma arma de fogo de propriedade do político que foi apreendida pela polícia.
Em boletim de ocorrência enviado a Moraes, a Polícia Civil do Distrito Federal relata que, na noite de segunda-feira, 15, houve a apreensão de uma pistola, da marca Glock, calibre 9 mm, com um carregador sobressalente, de propriedade do ex-presidente.
O policial militar Davi Evangelista Alves narrou que, durante um ponto de bloqueio no Pistão Norte, em Brasília, abordou um veículo que era conduzido por Estácio Leite da Silva Filho, servidor do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).
No momento da abordagem, o agente percebeu uma pistola no assoalho do carro, e o motorista, de forma repentina, fecho o vidro do veículo. Diante disso, o policial abriu a porta do condutor e recolheu a arma.
"Solicitei que ele encostasse o veículo no acostamento, ocasião em que desceu e declarou ser integrante do GSI, afirmando que trabalhava com o ex-presidente Jair Bolsonaro. Solicitei os documentos do veículo e a funcional do abordado para verificar a autenticidade das informações. Após análise, constatei que realmente se tratava de servidor do GSI e que o veículo era oficial da Presidência da República", prossegue o agente, no boletim.
"Perguntei sobre o registro da arma encontrada, e o condutor afirmou que constava em sua funcional. Ao verificar o documento, percebi que não havia nenhum registro de arma. Indaguei novamente, e ele declarou que a pistola pertencia a Jair Bolsonaro e que a arma ficava dentro do veiculo. Que não estava com o registro da arma. Posteriormente, localizei também um carregador sobressalente da arma de fogo. Diante dos fatos, conduzi o envolvido até esta Delegacia para as providências cabíveis”.
Em depoimento, Estácio afirmou que a arma foi entregue a ele em razão da constatação de uma pane, que aparentava ser de fácil solução. Ele relatou que retirou a pistola no dia 15 de junho com a finalidade de realizar o reparo do percursos e disse que, após a conclusão do serviço, a arma seria devolvida em 16 de junho.
Em sua decisão, Moraes determina que a defesa de Bolsonaro se manifeste sobre o boletim de ocorrência, esclarecendo a razão pela qual o ex-presidente mantinha uma arma de fogo, com carregador sobressalente, e por que, às vésperas do encerramento do período de 90 dias de prisão domiciliar, pediu a realização de reparo na pistola.
Moraes determina ainda que o tenente-coronel Allenson Nascimento Lopes, comandante do 19º Batalhão da Polícia Militar do DF - a Papudinha - e responsável pelas medidas de segurança do regime domiciliar humanitário, esclareça se está sendo cumprida integralmente a ordem judicial de revista nos carros que saem da casa Bolsonaro.
Allenson deverá esclarecer também se os aparelhos celulares dos agentes do GSI ficam acondicionados fora da residência do ex-presidente.
Bolsonaro cumpre a pena de 27 anos e 3 meses de prisão à qual foi condenado pela Primeira Turma do STF na ação penal que apurou a atuação do "núcleo" na tentativa de golpe de Estado ocorrida no Brasil entre 2022 e 2023.
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