Milei pede flexibilidade ao FMI e enfrenta disputas internas
Milei recebe novo aval do FMI enquanto Argentina tenta flexibilizar metas, recompor reservas e conter desgaste político
O governo de Javier Milei concluiu a segunda revisão do acordo com o Fundo Monetário Internacional e recebeu cerca de 1 bilhão de dólares.
O aval reforça o apoio ao plano econômico, mas também revela que Buenos Aires busca mais flexibilidade para atravessar uma fase delicada do ajuste.
O país pediu metas mais flexíveis para acumular reservas internacionais, redução temporária das metas de reservas previstas para junho de 2026 e prazo adicional para reformar o sistema previdenciário,alvo frequente de críticas do FMI.
As projeções do FMI para 2026 apontam crescimento de 3,5% do PIB, inflação em torno de 25%, superávit primário de 1,4% e desemprego em 7,2%.
Os números indicam recuperação moderada, mas dependem de fatores concretos. A atividade precisa ganhar força a partir do segundo semestre, com inflação em queda consistente e maior entrada de dólares.
O governo tenta usar a desaceleração recente da inflação como argumento para ampliar apoio político no Congresso e avançar em mudanças estruturais.
Entre os pedidos apresentados estão a manutenção de algumas restrições cambiais e o compromisso de concluir a reforma da Previdência até o fim de 2027.
O FMI cobra um plano mais claro para sustentar o ajuste fiscal e observa com atenção os sinais recentes de arrefecimento do consumo e do mercado de ações.
Ao mesmo tempo, cresce a percepção no mercado de que a Argentina pode começar a rolar parte da dívida sem depender tanto de pagamento integral em dinheiro vivo, como destacou o analista Federico Domínguez.
Apesar de alguns sinais econômicos mais favoráveis, como a recomposição parcial das reservas do Banco Central, a recuperação da atividade econômica e a inflação mensal abaixo de 3% pela primeira vez em dez meses, os efeitos ainda pouco aparecem no cotidiano da população.
Pesquisas recentes mostram aumento da impaciência popular diante do consumo enfraquecido e da perda de vagas em setores da economia.
Ao mesmo tempo, o governo enfrenta disputas internas entre aliados próximos de Milei, incluindo Santiago Caputo, Martín Menem, Patricia Bullrich e integrantes do entorno político de Karina Milei.
Os conflitos ampliaram dúvidas sobre a capacidade da Casa Rosada de manter coordenação política num momento em que o FMI cobra reformas mais profundas e maior previsibilidade institucional.
Na economia, o governo insiste que manterá a política de déficit zero e o controle rigoroso dos gastos. A proximidade das eleições presidenciais de 2027 aumenta a cobrança por resultados mais visíveis na economia real, especialmente no consumo e no mercado de trabalho.
O cenário mistura avanços importantes com riscos reais. O sucesso dependerá da habilidade de Milei em equilibrar disciplina fiscal, recuperação da economia real e reconstrução da credibilidade externa ao longo de 2026.
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