Depois de cobrir as Copas do Mundo da Rússia e do Catar com equipamentos digitais modernos, o fotógrafo egípcio Fareed Kotb, de 39 anos, decidiu que o Mundial de 2026 seria diferente.
Ele comprou, em um mercado de câmeras vintage no Cairo, uma Zeiss Ikon Ideal 250/11 fabricada em 1930, o mesmo ano da primeira Copa do Mundo da história, disputada no Uruguai.
Segundo Kotb, ao pesquisar o número de série do equipamento, ele descobriu que a câmera já havia sido usada décadas antes por outro fotógrafo, para registrar jogadores antes da viagem para a Copa do Mundo de 1954.

Novo aprendizado antes de fotografar
Antes de levar a câmera aos Estados Unidos, ao Canadá e ao México, sedes do torneio, Kotb passou meses reaprendendo técnicas praticamente esquecidas, como carregar o filme manualmente, calcular o foco e ajustar a exposição sem qualquer tela ou visor eletrônico.
“Foi como estudar para a faculdade de novo”, contou o fotógrafo, em relato publicado.
Diferente das câmeras digitais, que permitem tirar centenas de fotos e descartar as ruins na hora, a câmera de 1930 limitava Kotb a apenas 20 fotos por partida.
Segundo ele, cada movimento e cada momento precisavam ser planejados com antecedência, já que não havia margem para tentativa e erro durante o jogo.

As partidas que ele conseguiu registrar
Kotb usou a câmera para fotografar dois jogos da Copa: Portugal contra Croácia, em Toronto, e Colômbia contra Suíça, em Vancouver.
Ele relatou ter tentado credenciamento também para a final do torneio, mas teve o pedido negado quatro vezes pela organização.
O peso de cada clique
Segundo o fotógrafo, cada foto tirada com o equipamento carregava um significado especial: a sensação de reproduzir, quase um século depois, os mesmos gestos e decisões que outro profissional já havia tomado ao fotografar jogadores rumo à Copa de 1954.
As imagens feitas durante o torneio ainda aguardavam revelação do filme até a publicação da reportagem original.








