Haddad tenta se afastar de Vorcaro
Ex-ministro da Fazenda disse que banqueiro tentou se aproximar dele por vários caminhos, "menos o oficial"
Pré-candidato ao governo de São Paulo, o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) procurou nesta terça-feira, 21, afastar-se de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master preso preventivamente em Brasília por suspeitas de envolvimento em um esquema de fraudes financeiras bilionárias.
Ao MyNews, o ex-ministro de Lula disse que o banqueiro tentou se aproximar dele por vários caminhos, "menos o oficial".
"Ele [Daniel Vorcaro] tentou por vários caminhos, menos o oficial, mas ele tentou por vários caminhos. Empresários próximos, deputados, senadores próximos, né? Tentou uma aproximação comigo, mas eu já tinha feito uma análise do balanço do Master e tinha recebido boas informações no mercado financeiro sobre as atividades do Vorcaro, né? E eu não receberia porque não tinha o que falar com ele efetivamente, né? E os pedidos de audiência começaram a conter um um recado implícito assim ameaçador, sabe? Como se ele precisasse saber o que vai acontecer comigo, com a República, coisas desse tipo."
Questionado se havia se sentido ameaçado por Vorcaro, Haddad respondeu:
"Ele ameaçava assim... se acontecer alguma coisa comigo, tudo vai, sabe, o caos vai se instalar e tal, uma coisa assim, a República vai cair e tal. E como eu queria que tudo fosse passado a limpo, porque eu odeio essas coisas no Brasil. Nada é passada limpo aqui. E passar limpo não é fazer loucura com a vida das pessoas, é ser criterioso, mas efetivamente separar o o joio do trigo."
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Vorcaro e o governo Lula
O caso Master atingiu de vez o governo Lula em junho, quando o senador Jaques Wagner (PT-BA), ex-líder do governo no Senado, foi alvo de busca e apreensão.
O escândalo já atormentava o governo Lula, porque Vorcaro contratou ex-ministros do petista, como Guido Mantega e Ricardo Lewandowski, e chegou a se reunir com o presidente fora da agenda oficial por mediação deles, o que obviamente levantou suspeitas.
Além disso, os lulistas passaram os últimos meses defendendo Alexandre de Moraes, por seu enfrentamento da família Bolsonaro, o que soou como cumplicidade com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), cuja esposa foi contratada por 129 milhões de reais pelo Master, em um contrato recorde para escritórios de advocacia e até hoje mal explicado.
A nona fase da Operação Compliance Zero apontou ações de Wagner em favor dos negócios de Vorcaro, desde apoio à famigerada "Emenda Master", apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI) para elevar o valor segurado pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), até “atuação parlamentar voltada à fiscalização e controle da operação de potencial aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB)”, como descreveu o ministro André Mendonça, relator do caso no STF.
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