Economist questiona se Brasil terá seu "momento Milei" com Renan Santos
Candidato da Missão foi tema de matéria da revista britânica
A revista The Economist questiona, em matéria publicada nesta segunda-feira, 31, se o Brasil terá o seu "momento Milei" com Renan Santos (foto), candidato à Presidência da Missão.
Segundo a publicação, a ascensão da liderança do Movimento Brasil Livre (MBL) guarda paralelos com a do presidente "incendiário" da Argentina.
"Assim como Milei, ele é obcecado pela economia de livre mercado. Em 2014, fundou um grupo político, o Movimento Brasil Livre (MBL), para defender um Estado mínimo em um país com longa tradição de Estado grande. Tal como Milei, Santos mistura seu dogmatismo com música rock, liderando uma banda que exalta as virtudes da competição e dos impostos baixos", diz a revista.
Para a Economist, Renan também se aproxima de Milei por seu um "outsider" na política.
"Ele ganhou notoriedade após organizar protestos em massa contra o governo de Dilma Rousseff, ex-presidente de esquerda que sofreu impeachment por um Congresso hostil em 2016. Foi apenas em 2025 que o MBL se registrou como partido político, sob o nome Missão. O partido conta com um deputado em exercício, Kim Kataguiri. Além da candidatura presidencial do Sr. Santos, a legenda lançará 57 candidatos ao Congresso nas eleições gerais do Brasil em outubro."
Livro Amarelo
A matéria destaca o projeto de Renan Santos de transformar o Brasil em uma grande potência em 30 anos.
A transformação, que está delineada no Livro Amarelo da Missão, depende de reformas estruturais profundas, inspiradas políticas públicas aplicadas em países como Dinamarca e Alemanha.
"O resultado é um programa político repleto de novas ideias para o Brasil. O projeto propõe a digitalização dos prontuários médicos dos pacientes e o uso de IA para melhorar a triagem e reduzir as filas em hospitais públicos. Uma nova lei criaria metas de desempenho para políticos locais nas áreas de educação, saúde e acesso a saneamento básico. Autoridades que atingissem as metas teriam acesso a mais recursos do orçamento federal; aquelas com desempenho persistentemente insatisfatório enfrentariam a ameaça de proibição temporária de exercer cargos públicos. A IA seria usada para recomendar cortes de cargos públicos."
Populismo x Liberalismo
Apesar do apreço pelo liberalismo de Renan Santos, a Economist classificou as propostas do candidato da Missão para segurança pública como "populismo".
"Um dos principais slogans do Sr. Santos é 'Prendeu, Matou', referindo-se à forma como ele acredita que a polícia deve tratar os criminosos. Ele elogia frequentemente Nayib Bukele, o líder de mão de ferro de El Salvador, que reduziu a criminalidade ao encarcerar 2% da população adulta do país e atropelar a democracia. (O Sr. Santos afirma ser 'Bukele no estilo, Milei na essência'.) Ele promete decretar estados de emergência e permitir um 'banho de sangue' contra as facções criminosas."
A Economist conclui dizendo que Renan Santos oferece à direita brasileira uma alternativa ao bolsonarismo, "algo de enorme valor" segundo a revista.
Leia em Crusoé: Até onde vai Renan Santos?
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