Panfletos apócrifos sobre Raquel tensionam campanha em PE
Governadora de Pernambuco registrou boletins de ocorrência contra panfletos que dizem que ela "matou o marido" para se eleger em 2022
A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), registrou boletins de ocorrência nas polícias Federal e Civil de Pernambuco por panfletos apócrifos que dizem diretamente ou insinuam que ela matou o marido para se eleger em 2022.
Fernando Lucena sofreu um mal súbito na manhã do primeiro turno da eleição de 2022 e faleceu de um infarto, aos 44 anos.
A governadora publicou um vídeo no domingo, 30, para comentar os panfletos. Um deles diz diretamente que "Ela matou o marido para ganhar a eleição", com sua foto, e o outro a coloca entre Elize Matsunaga e Flordelis, sob a inscrição "Matadoras de maridos" (foto).
"Eu entrei no carro para seguir minha agenda hoje, zona da Mata Sul. E como eu sempre faço, eu abri o Instagram para ver o que é que tava acontecendo, né? Sempre faço isso. E pude ver de perto a crueldade de quem não tem limites. Respeite minha família, respeite meus filhos, respeite quem não tá mais aqui, respeite a minha dor", disse a governadora, abatida.
No post que acompanha o vídeo, ela diz o seguinte:
"Tá difícil falar sobre isso. Mas, infelizmente, é necessário. Os ataques de ódio, que começaram nas redes sociais, agora ganharam as ruas do Centro do Recife. Vamos seguir em frente. Sem medo e sem baixar a cabeça. O tempo da opressão e da perseguição passou. E não vai voltar. Porque na política, como na vida, não vale tudo."
João Campos se posiciona
Adversário de Raquel na corrida pelo governo de Pernambuco, o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) também publicou um vídeo para condenar dos cartazes, cuja autoria é desconhecida.
"Esses panfletos apócrifos que estão circulando hoje são um completo absurdo. E quero deixar uma coisa muito clara: qualquer pessoa que tente atribuir esse tipo de prática a mim ou à minha candidatura vai responder por isso na Justiça brasileira", diz Campos no post que acompanha o vídeo, no qual acrescenta:
"Eu perdi meu pai durante uma eleição. A candidata Raquel perdeu o marido durante uma eleição. Nós sabemos a dor que isso representa para uma família. Por isso, não admito que a minha família, a família dela ou a família de qualquer pessoa seja atacada ou utilizada como instrumento de disputa eleitoral. Isso ultrapassa qualquer limite da política. Isso é desumano e inaceitável."
O ex-prefeito disse que também vai buscar a Justiça para que a origem dos panfletos seja investigada.
"Quero que a Justiça Eleitoral descubra quem produziu, quem financiou e quem distribuiu esse material, e que os responsáveis sejam punidos na forma mais severa da lei. A democracia comporta divergência, crítica e confronto de ideias. O que ela não pode admitir é covardia, anonimato e ataques contra famílias", disse Campos.
Gabinete de ódio?
A Polícia Federal já investiga desde o fim de 2025 um suposto gabinete de ódio do governo de Pernambuco conta Campos, por denúncia feita por um aliado do ex-prefeito do Recife, o deputado estadual Rodrigo Farias (PSB).
A campanha esquentou muito nos últimos dias após as pesquisas de intenção de voto indicarem que o favoritismo de Campos deixou de existir, com a governadora à frente em todos os levantamentos.
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