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Com eleição e Constituinte, Chile flerta com a esquerda radical

03.10.21 12:36

O Chile terá eventos políticos importantes nos próximos meses. O país realizará eleições presidenciais em novembro, com um provável segundo turno em dezembro. Além disso, no primeiro semestre de 2022 haverá um referendo para que a população aprove ou não o texto de uma nova Constituição.

Nessas duas oportunidades, o Chile tende a se inclinar para a esquerda radical. O candidato que está à frente nas pesquisas é Gabriel Boric (foto), que venceu as primárias da esquerda. Boric aparece com 25% das intenções de voto, oito pontos percentuais à frente do segundo colocado, Sebastián Sichel, de centro-direita.

Boric propõe mudanças profundas em vários sentidos, com uma ideia de refundar o Chile. Se ele for eleito, fará um governo muito mais radical do que foi o de Michelle Bachelet, do Partido Socialista“, diz o sociólogo Aldo Mascareño, pesquisador do Centro de Estudos Públicos, do Chile, em referência à ex-presidente que governou por dois mandatos (2006-2010 e 2014-2018).

Boric quer acabar com os planos de previdência privados e revisar os acordos de livre comércio. Fala ainda em fixar o preço dos remédios e em proibir o lucro nos centros de formação técnica e profissional.

Para reduzir a desigualdade, propõe criar um imposto permanente e progressivo para as pessoas com mais patrimônio, além de fixar uma taxa que seria cobrada uma única vez dos mais ricos.

Se eleito, Boric assumirá o posto em março do ano que vem, às portas da discussão sobre a nova Constituinte, que terá de estabelecer os parâmetros para a ação do Poder Executivo.

O risco maior é o de que, caso Boric se torne o próximo presidente, a Convenção Constituinte, majoritariamente de esquerda, assuma que chegou a hora de propor mudanças nessa mesma linha, uma vez que o governo será de esquerda radical“, diz Mascareño.

Entre os temas que já foram propostos nas discussões da Convenção Constituinte está o fim da autonomia do Banco Central, que poderá ter uma ação mais politizada.

Nos debates para definir o regulamento da Constituinte, já apareceram ideias típicas da esquerda, como o estado plurinacional ou de poder originário. No quesito ética, os constituintes incluíram punições para o “negacionismo, termo que inclui a negação do genocídio cultural contra indígenas e afrodescendentes e das violações de direitos humanos nos protestos de 2019.

O que pode frear essas mudanças é o voto obrigatório para aprovar a nova Constituição. Com mais pessoas votando, a população chilena deverá ser melhor representada nessa consulta popular e poderá buscar mais moderação. No plebiscito que aprovou a convocação de uma convenção para reescrever a Constituição, em 2020, o voto foi facultativo. O comparecimento foi de 49,2%.

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  1. viraremos o Lixo do mundo de vez .. o destino da América Latrina é comermos merda . venezuelanos . argentinos . bolivianianos e agora chilenos já sentem o fedor da boXta dormida . FORDemo-nus.

    1. Perfeito , endosso comentário. Parece que contra a estupidez, babaquice e bobeira humana não há vacina nem antídoto.

  2. Seja feita a vontade popular. Mas depois não vale chorar. Selo constitucional penalizando "negacionismo", banco central sob influência política, fixação de preços e intervenção estatal em lucros, tudo isso parece perfeita receita pra dar [email protected]

    1. MÁRCIA o problema é IGNORÂNCIA . data vênia mas sendo preciso é a velha vontade suDamericana de comer boXta e os chilenos devem estar loucos de saudade .. pois eu prefiro seu ótimo Malbec ou Chardonnay.

  3. São verdadeiras pragas a ideologização e a politização da máquina administrativa do Estado, tanto quanto o Estado imiscuído com religião de qualquer gênero. O ESTADO TEM que SER *LAICO*, *TÉCNICO* E *FUNCIONAL*. Apenas isso. A resultante dessa tríade é o bem-estar que automaticamente serve e agrada a gregos e troianos. Qualquer interferência fora disso é inapelavelmente a extrema estupidez que leva à paralização, ao retrocesso e à criminalidade.

    1. Parece um "karma" a incapacidade da America latina de compreender e registrar princípios tão fundamentais, tão simples, tão óbvios, tão claros, tão elementares.

  4. vamos deixar mais um país pobre e com o povo passando fome, a exemplo da Venezuela, enquanrussiato os seus mandatários ficam ricos. Já vimos esse filme várias vezes. Começa na Russia e termina em Cuba.

  5. Bem, primeiramente, esse pensamento limitado de que "com o voto obrigatório, o povo será mais bem representado e tudo será melhor" é uma ilusão, no Brasil o voto é obrigatório e estamos na merda. E o Chile cair numa ditadura de esquerda é inevitável, o futuro de toda América Latina sempre foi esse mesmo.

    1. a América do Sul já tem até corruptela .. América Latrina que uns querem América Latindo .. alô valeu chilenos vale asilo no EcuADOR?

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