Bingo do Lula na ONU ganha versão eleitoreira
Faltando duas semanas para o primeiro turno, é de se esperar que o presidente use o púlpito em Nova York como palco de campanha
Chefes de governo e de Estado moldam seus discursos na Assembleia-Geral da ONU, que começa nesta terça, 22, pensando muito mais nas audiências internas do que no público externo.
Faltando duas semanas para o primeiro turno, é de se esperar que o presidente Lula (foto) use o púlpito da organização em Nova York como palco de campanha.
Para não perder a ocasião, Crusoé e O Antagonista atualizaram a cartela do Bingo do Lula na ONU.
Entram na cartela este ano temas que o petista acredita que possam render votos, como "fim da escala 6X1", "soberania", "pix", "terras raras", "reforma do Judiciário", "Bolsa Família", "combate ao feminicídio", "combate às organizações criminosas" e "fim das bets".
Há o risco ainda de Lula falar de canetas emagrecedoras. Mas como isso evidenciaria um populismo extremo, poderia ser arriscado ao presidente. Com isso, não entrou no jogo.
Ao mesmo tempo, saem da cartela temas que podem afastar eleitores.
Falar de Lava Jato, por exemplo, poderia lembrar a condenação de Lula por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
Citar Jair Bolsonaro seria dar uma colher de chá para seu filho, o senador Flávio Bolsonaro, seu principal rival no pleito deste ano.
O mais provável é que o presidente fale em "extrema-direita", sem dar nomes.
Tocar no assunto da Venezuela evidenciaria o fracasso diplomático do governo Lula, que apoiou até o fim o ditador Nicolás Maduro e sua reeleição fajuta, até que ele foi levado para uma prisão nos Estados Unidos, onde espera julgamento por tráfico de drogas.
Com várias eleições sendo vencidas pela direita na América Latina, Lula deve evitar comentar a região.
Ficam alguns temas da agenda ideológica mais empoeirada, defendida pelo assessor da Presidência Celso Amorim. Lula, assim, deve criticar o "bloqueio" americano a Cuba, defender a Palestina e pedir uma inviável reforma do Conselho de Segurança da ONU.
Também deve enaltecer os Brics, o Sul Global e o multilateralismo, alinhando o Brasil com a política externa de países autoritários como a Rússia de Vladimir Putin e a China de Xi Jinping.
Boa jogada!

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