"Até a máfia tem ética", diz Gilmar
O decano do STF subiu o tom contra o colega André Mendonça durante a sessão extraordinária da Corte
O decano Gilmar Mendes subiu o tom contra o colega André Mendonça durante a primeira parte da sessão extraordinária do Supremo Tribunal Federal que irá decidir se investiga ou não o ministro Alexandre de Moraes.
Ao atacar a condução da investigação sobre Banco Master, Gilmar disse:
"Mas a deliberação do tribunal sobre matéria da tamanha gravidade, presidente, não pode ocorrer nos termos ditados por alguém que tem desprezado qualquer senso de colegialidade, muito menos em pleno ciclo eleitoral. E o interesse é evidente, acachapante, extravagante. Evidente que se trata de um pixuleco, de um boneco eleitoral. É disso que nós estamos falando. Sob pena de que o resultado, qualquer que seja ele, nasça marcado pela suspeita de haver servido a alguém. Quando um único integrante do tribunal reúne de ofício sobre o sigilo oponível aos seus pares elementos que julga serem capazes de abalar a honra e a posição de outros ministros e os retém sem submetê-los ao órgão a quem competiria conhecê-los, como ocorreu neste caso, o que se produz não é apenas uma investigação irregular, uma assimetria se produz. Quem detém sozinho aquilo que pode alcançar outros integrantes do colegiado, passa a exercer sobre eles algum tipo de ascendência ou que se vê. Eu protejo você. Relação de máfia, isso não se faz, não é ambiente de pessoas dignas. Desculpe a sinceridade, presidente. Mas as coisas precisam ser chamadas pelo nome. Não se pode submeter... Mesmo o colega que esteja eventualmente envolvido, que teve um filho, não pode estar submetido a esse tipo de vexame. É uma atitude covarde, vil. Já disse isso em outro momento. Até a máfia tem ética. É preciso ter decência. Não se comporta dessa forma. Não se comporta dessa forma."
Para Gilmar, "a pergunta não é saber se esse ou aquele ministro deve ser investigado".
"A pergunta é se continuaremos a admitir que o rigor da persecução penal seja distribuído conforme a identidade do investigador", concluiu.
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