Adriano Machado/CRUSOE

Ascensão do DEM eleva cacife de antigo ‘partido satélite’ e já assombra o PSDB

30.11.20 07:36

Se o comando das duas casas do Congresso em 2019 já havia colocado o DEM em outro patamar no cenário político nacional, o resultado das eleições municipais consolidou a expressiva ascensão do partido — que até pouco tempo atrás era tratado como uma legenda satélite do PSDB — a ponto de já assombrar os tucanos para as disputas de 2022.

O DEM foi o partido que mais cresceu no pleito deste ano, elevando em 74% o número de prefeitos eleitos em relação a 2016. Já são 464 municípios, incluindo quatro capitais, entre as quais dois dos principais colégios eleitorais do país, que são Rio de Janeiro e Salvador. O número pode ser maior, caso o irmão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, vença em Macapá, na disputa adiada para dezembro.

Essa vitória colocaria o DEM ao lado do MDB e à frente do PSDB no ranking de capitais sob seu comando. O partido de Rodrigo Maia (foto) também foi o que mais cresceu em número de habitantes que serão governados pela legenda, saltando de 10,8 milhões em 2016 para 24,4 milhões agora, número que ainda pode crescer com as eleições do Amapá.

O fato é que o resultado das urnas elevará o cacife político-eleitoral do DEM a ponto de a legenda que sempre cedeu aos interesses do PSDB, desde os tempos em que se chamava PFL, ter força para querer dar as cartas na centro-direita ou cobrar uma fatura ainda mais cara.

Se as coisas funcionassem como sempre funcionaram, o DEM provavelmente iria aderir a uma provável candidatura do governo paulista João Doria, nome mais forte do PSDB neste momento para a corrida ao Planalto. É isso, inclusive, que Doria tenta manter, costurando uma grande aliança de centro com o partido de Maia e com o MDB.

Mas, de largada, o DEM já tem dois nomes possíveis para lançar na eleição presidencial de 2022: o do próprio Maia e o do ex-ministro Luiz Henrique Mandetta. Além disso, o próprio presidente da Câmara vem articulando a filiação do apresentador Luciano Huck para lançá-lo a presidente em 2022. Mesmo que não assine a ficha do DEM, o partido é candidato a indicar seu vice.

Maia já disse que prefere Huck a Doria. Mas como o DEM sempre gostou de cargos, talvez possa até ceder novamente aos interesses tucanos. Só que, desta vez, a fatura seria muito mais alta e já está posta na mesa: o governo de São Paulo. Com uma renúncia de Doria para tentar a presidência, em 2022, o estado ficaria nas mãos do vice Rodrigo Garcia, do DEM, que poderia disputar a reeleição com a máquina na mão.

A questão é se o PSDB estaria disposto a abrir mão do estado que governa desde 1995. Em 2018, por exemplo, uma ala tucana defendia movimento semelhante em benefício do então governador Márcio França, PSB, que era vice de Geraldo Alckmin, em troca do apoio dos socialistas à candidatura presidencial do tucano. O plano foi frustrado justamente com a candidatura de Doria ao governo, que largou a prefeitura e derrotou França. Sem o apoio do PSB, Alckmin amargou uma derrota vexatória, com apenas 4% dos votos.

Já é assinante?

Continue sua leitura!

E aproveite o melhor do jornalismo investigativo.

Só R$ 1,90* no primeiro mês

Edição nova toda Sexta-Feira. Leia com Exclusividade!

Assine a Crusoé

*depois, 11 x R$ 14,90

Deixar para mais tarde

Os comentários não representam a opinião do site. A responsabilidade é do autor da mensagem. Em respeito a todos os leitores, não são publicados comentários que contenham palavras ou conteúdos ofensivos.

500
  1. O Nhonho, vulgo "Botafogo", engavetador de pautas anticorrupção acha que está por cima da cocada preta .... vai achando Nhonho!!!

  2. A grande questão é se o DEM é bozista? Até agora, graças ao Maia, o partido se coloca como de centro-direita não alinhada a quem estiver no poder. Entretanto, a realidade é outra, pois o partido tem ministros e o Maia ajudou o Bozo a não sofrer impeachment ano passado. Assim , o DEM contribuiu sim para o caos que o país se encontra!

  3. E foi como sempre, comendo pelas beiradas e utilizando-se de estratagemas nada republicanos, que o PFL, digo, “Demos”, digo, DEM chegará à presidência, com a luxuosa colaboração do homem-privada Jair Dando Descarga. Resta-nos saber qual futuro medíocre nos espera: aquele moldado pelo sujeito que mexe o caldeirão ou, argh, aquele moldado por Nhonho Botafogo... “santa” mediocridade, batma!

  4. Para isso o Centro terá que aprovar pautas que interessa a população como prisão em segunda instância e foro privilegiado esse é básico.

    1. Rodrigão está rindo à toa, mas não enganem tem coisas por traz desta alegria. Alô bolzonaristas, isto nao passa de um lobo mau vestindo de vovozinha para pegar o chpeuzinho vermelho. Desconfiem pois este morreu de velho

Mais notícias
Assine
TOPO