Argentina é o segundo país com mais dólares fora dos bancos
Argentinos mantêm cerca de 250 bilhões de dólares fora do sistema financeiro, colocando o país entre os maiores casos do mundo
Estimativas divulgadas pelo Banco Central argentino nessa semana indicam que os residentes do país mantêm cerca de 250 bilhões de dólares fora do sistema financeiro formal, valor que inclui dinheiro guardado em espécie, cofres privados e contas no exterior. Esse volume ajuda a explicar por que a circulação de dólares fora dos bancos continua sendo uma das principais características da economia argentina.
Levantamentos apresentados pela autoridade monetária mostram que a Argentina ocupa a segunda posição em um ranking internacional de divisas mantidas fora do circuito bancário, atrás apenas da Rússia. Esse volume expressivo coloca o país acima de economias maiores da Europa em termos de recursos guardados fora do sistema financeiro.
Esse comportamento se consolidou após décadas de crises bancárias, desvalorizações bruscas da moeda e restrições à compra de dólares. Muitos argentinos passaram a manter parte da poupança fora dos bancos como forma de proteção e por não confiar nos governos argentinos.
A comparação internacional ajuda a dimensionar o fenômeno. Dados compilados a partir de informações do Fundo Monetário Internacional indicam que apenas a Rússia supera a Argentina nesse indicador, com algo próximo de 400 bilhões de dólares mantidos fora de seus bancos.
Dados do Banco Central indicam que os depósitos em dólares nos bancos argentinos somam entre 35 e 37 bilhões, muito abaixo das estimativas de aproximadamente 250 bilhões mantidos fora do sistema. Em uma economia com PIB próximo de 630 bilhões de dólares, esses recursos equivalem a algo perto de 40% da produção anual do país.
Estimativas oficiais também indicam que os ativos externos do setor privado argentino chegaram a 277 bilhões de dólares em 2023, crescimento expressivo em relação aos níveis observados uma década antes, mas que apontam uma pequena queda em comparação com os dados mais recentes divulgados.
Mesmo em períodos de maior estabilidade, uma parcela relevante da poupança nacional permanece fora da intermediação bancária. Isso limita a capacidade do sistema financeiro de canalizar recursos para crédito, investimento e financiamento produtivo.
Nos últimos meses, integrantes do governo passaram a discutir medidas para estimular que parte desses dólares volte ao sistema formal. A expectativa é que a circulação desses recursos possa ampliar a liquidez interna e facilitar o financiamento da atividade econômica em um momento de recuperação ainda gradual do país.
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