Agora vai rolar impeachment de Paulo Gonet?
Um requerimento foi protocolado em março de 2025 no Senado, mas não foi adiante
O procurador-geral da República, Paulo Gonet (foto), não tem mais condições de seguir no cargo mais alto do Ministério Público.
Uma mensagem enviada pelo banqueiro Daniel Vorcaro no dia 30 de outubro de 2025, diz: “É importante reforçar com Andrei [Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal] e Paulo [Gonet] pra nao deixar ninguem de baixo fazer uma sacanagem que ai vai tudo pro saco. Estou disponivel pra tratar e explicar qq coisa, so nao pode ter sacanagem. Vou te mandar os nomes que tem ido ao Bacen alegando que farao algo em breve”.
Em 15 de novembro, Vorcaro citou novamente Paulo Gonet e Andrei Rodrigues em uma mensagem para o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.
"Não conseguimos reverter isso com Paulo e Andrei? Muita sacanagem isso. Isso em Brasília?", escreveu Vorcaro.
As conversas indicam que Vorcaro contava com Moraes, Gonet e Andrei para defender seus interesses, blindando-se das investigações.
Macalan
Vorcaro mantinha contato com Gonet por meio do advogado Ciro Soares. Em março de 2025, Ciro contou alegre para Vorcaro que Gonet tinha aceitado um convite para uma viagem a Londres e queria levar o filho.
"Ele vai para Londres com a gente", escreveu Ciro. Por fim, enviou uma mensagem encaminhada: "Oba!!! Tomara que tenha charuto e macalan!'".
Crime de responsabilidade
Qualquer cidadão pode protocolar uma denúncia no Senado por crime de responsabilidade cometido pelo procurador-geral da República.
A partir de então, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, deve colocar o assunto na pauta.
No Senado, são necessários os votos de dois terços dos senadores (54 votos) para decretar a perda do cargo.
Em março do ano passado, o senador Eduardo Girão, do Novo, protocolou um pedido de impeachment de Paulo Gonet.
Na petição apresentada por Girão e assinada por outros dez parlamentares, Gonet foi acusado de não agir conforme as regras, ao desconsiderar parte da delação premiada de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, nas denúncias contra as pessoas supostamente envolvidas nos atos de 8 de janeiro.
O assunto não foi adiante.
Talvez este seja o momento de tentar mais uma vez.
Não há como Gonet, com tal grau de intimidade com Daniel Vorcaro e suspeito de defender seus interesses, seguir na PGR enquanto correm investigações sobre o banco Master na Polícia Federal.
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