Adriano Machado/Crusoé

Abin investiga contatos de agentes com jornalistas

08.04.21 17:24

A sindicância interna aberta pela Abin para apurar supostos vazamentos de dados internos do órgão tem, entre seus objetivos, descobrir possíveis contatos entre agentes do órgão e jornalistas. O procedimento, que tem sido usado pelo diretor-geral, Alexandre Ramagem (foto), em defesa própria no caso envolvendo o fornecimento de relatórios clandestinos à defesa do senador Flávio Bolsonaro, teve como desdobramento uma ação de busca e apreensão contra um agente nesta terça-feira, 6.

A estação de trabalho e a residência do agente foram vasculhadas pela PF. O computador dele foi apreendido. A sindicância chegou ao seu nome do funcionário em razão do fato de ele ter guardado imagens do organograma interno da agência que só poderiam ser obtidas no sistema interno.

Indagada a respeito da possibilidade de investigar contatos de agentes com jornalistas, a Abin afirmou, por meio de nota, que “o mandado de busca e apreensão contra o servidor objetiva apurar o vazamento da estrutura funcional da Abin ao (site) The Intercept“.

O site The Intercept Brasil publicou em dezembro de 2020 reportagem com uma imagem do organograma da agência, citando o policial federal Marcelo Bormevet, hoje integrante da cúpula do órgão, como possível autor dos relatórios clandestinos fornecidos à defesa de Flávio Bolsonaro.

Embora tenha mencionado a suspeita de vazamento no mesmo contexto da apuração interna que busca desvincular Ramagem da produção de documentos em favor de Flávio Bolsonaro, a Abin afirma que a investigação não guarda “qualquer relação com supostos relatórios de Inteligência criados para auxiliar defesa de senador”.

Na noite desta terça, Ramagem publicou um vídeo em sua conta no Twitter em que aparece falando sobre a sindicância interna. Na gravação, por diversas vezes, ele disse que a sindicância concluiu que os relatórios “nunca poderiam ter sido pela Abin e pelo diretor-geral“.

Prometeu, ainda, mover processos contra jornalistas que publicaram reportagens sobre o tema. “Como a narrativa já estava desacreditada, o que fizeram? Imputaram ao diretor-geral da Abin a elaboração desses relatórios. Com o intuito claro de assassinato de reputação“, disse.

Ramagem também associou o agente investigado às reportagens. “Hoje, estão sendo cumpridos mandados de busca e apreensão aqui na Abin em face de servidor de inteligência que sindicância nossa apurou que houve vazamento de informações reservadas estruturais da Abin a dar suporte básico de uma veracidade para a construção dessas mentiras da imprensa“, disse.

Uma reportagem de capa de Crusoé mostrou que o próprio Ramagem enviou a Flávio Bolsonaro relatórios clandestinos contendo orientações para anular provas do caso do “rachid” operado no antigo gabinete do filho 01 do presidente da República na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Os documentos foram encaminhados, em seguida, para as advogadas de Flávio.

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  1. Pessoal, um familiar me disse que ficar comentando em publicações na internet é perigoso. Af! Quem será que tem tempo sobrando (seja de esquerda, direita, centro, de cima, de baixo, de lado, de diagonal...) para ler tudo e implicar com o que se escreve aqui? Só faltava essa! Crusoé, procede?

  2. O despreparo do escolhido por Bolsonaro para chefiar a ABIN fica flagrante na argumentação pouco convincente (a própria advogada de Flávio contou a verdade) e na atitude autoritária e apelativa de buscar outro "culpado" dentro da instituição.

  3. ESSE IMBECIL PENSA QUE ENGANA ALGUÉM POIS A PRÓPRIA ADVOGADA DO PILANTRA ZERO MERDA À ESQUERDA CONFESSOU QUE FOI ESTA BESTA QUE FORNECEU O RELATÓRIO PARA INSTRUIR A DEFESA DAQUELE BANDIDO. ENTÃO PARA DE LAMBANÇA QUE A TUA CABEÇA TAMBÉM VAI ROLAR.🚔⚔🗡☠

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