Crusoé
18.04.2026 Fazer Login Assinar
Crusoé
Crusoé
Fazer Login
  • Acervo
  • Edição diária
Edição Semanal
Pesquisar
crusoe

X

  • Olá! Fazer login
Pesquisar
  • Acervo
  • Edição diária
  • Edição Semanal
  • Entrevistas
  • O Caminho do Dinheiro
  • Ilha de Cultura
  • Leitura de Jogo
  • Poder
  • Colunistas
  • Assine já
    • Princípios editoriais
    • Central de ajuda ao assinante
    • Política de privacidade
    • Termos de uso
    • Política de Cookies
    • Código de conduta
    • Política de compliance
    • Baixe o APP Crusoé
E siga a Crusoé nas redes
Facebook Twitter Instagram
Diários

A vida em segredo de uma cristã no Irã

Bahar Rad cresceu vendo seu pai preso por professar o cristianismo. Do exílio, hoje apoia os fiéis que vivem na clandestinidade

avatar
João Pedro Farah
6 minutos de leitura 24.03.2026 13:01 comentários 0
A vida em segredo de uma cristã no Irã
Reprodução. ONG Portas Abertas.
  • Whastapp
  • Facebook
  • Twitter
  • COMPARTILHAR

Bahar Rad é uma das milhares de cristãs que fugiram do Irã por causa de sua fé.

Seu pai ficou preso por 13 dias por professar o cristianismo, mas acabou sendo libertado pelo regime dos aiatolás.

O medo passou a fazer parte da rotina: dentro de casa, nas relações sociais e até na forma de expressar a própria identidade religiosa.

O Irã figura na 10ª posição na Lista Mundial da Perseguição feita pela ONG Portas Abertas.

Crusoé conversou com a mulher que, mesmo no exílio, hoje se dedica a apoiar cristãos iranianos que são obrigados a rezar escondidos.

Bahar conta o que significa crescer sob perseugição e acompanhar à distância a resistência silenciosa de uma igreja que segue existindo em meio à guerra.

 

 

Como foi crescer vendo seu pai preso por causa da fé dele?

Quando eu era adolescente, foi muito difícil. Nós não sabíamos o que estava acontecendo com meu pai, quando ele voltaria para casa, ou mesmo se voltaria. Meus irmãos mais novos choravam o tempo todo e perguntavam por ele, e minha mãe e eu tínhamos que mentir, dizendo que ele estava viajando.

Na escola e com amigos, eu precisava esconder a verdade e fingir que tudo estava normal, até fingindo ser muçulmana. Não havia nenhum lugar seguro onde eu pudesse compartilhar meus medos, minhas dúvidas ou até mesmo minhas lágrimas. Também ficamos completamente desconectados de outros cristãos e da igreja doméstica durante esse período.

Nossa família extensa colocava muita pressão sobre nós. Incentivavam minha mãe a se divorciar do meu pai e me alertavam que, se eu seguisse o mesmo caminho que ele, também acabaria presa um dia.

Como sua família lidou com o medo e a perseguição?

Houve um tempo em que lutei com muitas perguntas. Eu me perguntava: se meu pai estava seguindo a verdade, por que ele estava na prisão? Por que estávamos passando por tanta dor?

No meio dessa confusão, experimentei a presença de Deus de forma muito pessoal. Era como um Pai amoroso acalmando meu coração e me lembrando que tudo estava sob controle, mesmo quando eu não conseguia entender. Eu escolhi confiar nele, e Ele me deu força, perseverança e paz no meio da incerteza.

Para minha mãe, a pressão era ainda maior. Ela trabalhava como professora enquanto cuidava de três filhos sozinha. Recebia telefonemas ameaçadores dizendo para ficar em silêncio ou poderia perder o emprego e enfrentar o mesmo destino do marido.

Qual foi o maior desafio ao fugir do Irã e viver como refugiada?

O primeiro desafio foi deixar tudo para trás — nossa casa, nossos bens e a vida que conhecíamos — colocando o que podíamos em algumas malas para ir a um lugar desconhecido.

Depois veio a saudade profunda. E, com o tempo, o maior desafio passou a ser viver na incerteza. Não havia plano de longo prazo, nem estabilidade. Vivíamos com medo constante de deportação, enfrentando dificuldades financeiras, acesso limitado à saúde e restrições à educação e ao trabalho.

Minha família viveu assim por 14 anos. Foi um longo período de espera, incerteza e resistência.

Como é a vida de um cristão no Irã hoje, sob vigilância e risco?

A pressão tem aumentado a cada ano. A perseguição se tornou mais intensa e complexa. Cristãos enfrentam sentenças mais duras, multas maiores, longos períodos de prisão, proibições de viagem, exílio e acesso limitado a julgamentos justos ou cuidados médicos.

Há monitoramento constante, e a fé é muitas vezes tratada como ameaça, não como crença pessoal. Isso torna a vida cotidiana muito difícil.

Em cidades menores, muitos cristãos estão isolados, sem acesso a igrejas domésticas. Sua única conexão é por reuniões online, que também são arriscadas e às vezes impossíveis por causa das restrições de internet.

Ainda assim, apesar de tudo isso, a igreja continua crescendo. Mais mulheres e jovens estão se convertendo, igrejas domésticas estão surgindo e os fiéis estão discipulando uns aos outros. A igreja está se tornando mais resiliente.

Você mantém contato com cristãos que permanecem no Irã?

Sim, tentamos manter contato por plataformas seguras. Mas não é fácil. Muitos precisam usar VPNs, que são caras e nem sempre confiáveis.

Por segurança, muitos desligam as câmeras ou usam nomes diferentes nas reuniões online. Não é natural, mas é necessário. Mesmo na comunicação, não há liberdade real — a segurança vem primeiro.

Existe algum tipo de comunidade ou apoio?


Não há uma comunidade cristã visível ou oficial para convertidos no Irã. Sem igrejas públicas ou redes reconhecidas.

As conexões acontecem principalmente por relacionamentos pessoais ou por meio de canais cristãos via satélite.

O apoio e discipulado vêm muitas vezes de líderes cristãos fora do país, sempre de forma discreta.

O regime incentiva a denúncia de cristãos? Que punições enfrentam?

O governo usa a mídia para propaganda. De um lado, mostra líderes afirmando haver liberdade; de outro, divulga mensagens negativas sobre cristãos.

As punições podem ser físicas e psicológicas: perda de acesso à educação, empregos e até direitos básicos como casamento legal ou sepultamento. Também enfrentam rejeição familiar e pressão social.

Isso pode levar a denúncias, acusações contra a segurança nacional, prisão e interrogatórios.

Como você vê o futuro da igreja no Irã?


Tenho esperança. Existe a possibilidade de que, com mudanças no país, haja mais liberdade religiosa. Se isso acontecer, muitas pessoas estarão abertas ao Evangelho.

Mas também é preciso realismo: após anos de opressão religiosa, muitos se sentem feridos ou decepcionados com a ideia de Deus.

Por isso, o futuro da igreja exigirá sabedoria, humildade e amor — não apenas crescimento numérico, mas cura e testemunho verdadeiro.

Como a guerra molda os cristãos no país?

Qual o impacto da guerra na vida dos fiéis?

Os cristãos enfrentam as mesmas dificuldades que toda a população: medo, perdas, trauma e dificuldades econômicas.

Ao mesmo tempo, procuram ser fonte de esperança e apoio. Muitas pessoas estão mais abertas ao Evangelho nesses momentos difíceis.

Mas há preocupação: se forem presos, sua fé pode torná-los ainda mais vulneráveis. E, se tudo voltar ao normal sem mudanças reais, a perseguição pode recomeçar.

Diários

Crusoé nº 416: Gilmarlândia

Redação Crusoé Visualizar

Izalci reafirma pré-candidatura e diz que conversará com Michelle

Guilherme Resck Visualizar

Ninguém quer Lula como mediador

João Pedro Farah Visualizar

O “compliance paralelo” do Banco Master

Rodolfo Borges Visualizar

Guerra no Irã e super El Niño podem criar tempestade perfeita para o agro

José Inácio Pilar Visualizar

Quem é o melhor vice para Flávio, segundo Nikolas

Redação Crusoé Visualizar

Mais Lidas

A hipocrisia sobre o aborto no Brasil

A hipocrisia sobre o aborto no Brasil

Visualizar notícia
A última rodada

A última rodada

Visualizar notícia
As armadilhas de Orbán

As armadilhas de Orbán

Visualizar notícia
Como uma democracia iliberal morre

Como uma democracia iliberal morre

Visualizar notícia
Gilmarlândia

Gilmarlândia

Visualizar notícia
Hezbollah nas redes de lavagem de dinheiro do INSS

Hezbollah nas redes de lavagem de dinheiro do INSS

Visualizar notícia
Ninguém quer Lula como mediador

Ninguém quer Lula como mediador

Visualizar notícia
O “compliance paralelo” do Banco Master

O “compliance paralelo” do Banco Master

Visualizar notícia
"País tem o dever de proteger" o STF e PGR da "infiltração criminosa", diz TI

"País tem o dever de proteger" o STF e PGR da "infiltração criminosa", diz TI

Visualizar notícia
Por que o relator da CPI do Crime Organizado quer indiciar Gonet

Por que o relator da CPI do Crime Organizado quer indiciar Gonet

Visualizar notícia

Tags relacionadas

cristãos

Cristãos no Irã

ONG Portas Abertas

< Notícia Anterior

Zelensky acusa Rússia de compartilhar inteligência com o Irã

23.03.2026 00:00 | 4 minutos de leitura
Visualizar
Próxima notícia >

"Não devemos comemorar migalhas ditatoriais", diz Carluxo

24.03.2026 00:00 | 4 minutos de leitura
Visualizar
author

João Pedro Farah

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (0)

Torne-se um assinante para comentar

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (0)


Notícias relacionadas

Crusoé nº 416: Gilmarlândia

Crusoé nº 416: Gilmarlândia

Redação Crusoé
18.04.2026 08:05 3 minutos de leitura
Visualizar notícia
Izalci reafirma pré-candidatura e diz que conversará com Michelle

Izalci reafirma pré-candidatura e diz que conversará com Michelle

Guilherme Resck
17.04.2026 15:34 2 minutos de leitura
Visualizar notícia
Ninguém quer Lula como mediador

Ninguém quer Lula como mediador

João Pedro Farah
17.04.2026 14:35 3 minutos de leitura
Visualizar notícia
O “compliance paralelo” do Banco Master

O “compliance paralelo” do Banco Master

Rodolfo Borges
17.04.2026 09:46 4 minutos de leitura
Visualizar notícia

Variedades

Ver mais

Por que a gente tem a sensação de que o tempo está passando mais rápido à medida que envelhecemos? A ciência explica

Por que a gente tem a sensação de que o tempo está passando mais rápido à medida que envelhecemos? A ciência explica

Visualizar notícia
A ciência explica por que você sempre adia tudo

A ciência explica por que você sempre adia tudo

Visualizar notícia
O que acontece nessa idade pode impactar diretamente sua saúde aos 80 anos

O que acontece nessa idade pode impactar diretamente sua saúde aos 80 anos

Visualizar notícia
Passar o dia sentado faz mal ao coração? Veja o que a ciência diz

Passar o dia sentado faz mal ao coração? Veja o que a ciência diz

Visualizar notícia
Dormir com a TV ligada pode afetar seu cérebro de um jeito que pouca gente imagina

Dormir com a TV ligada pode afetar seu cérebro de um jeito que pouca gente imagina

Visualizar notícia
Sentir cansaço durante o dia pode indicar que seu coração não está funcionando como deveria

Sentir cansaço durante o dia pode indicar que seu coração não está funcionando como deveria

Visualizar notícia

Crusoé
o antagonista
Facebook Twitter Instagram

Acervo Edição diária Edição Semanal

Redação SP

Av Paulista, 777 4º andar cj 41
Bela Vista, São Paulo-SP
CEP: 01311-914

Acervo Edição diária

Edição Semanal

Facebook Twitter Instagram

Assine nossa newsletter

Inscreva-se e receba o conteúdo de Crusoé em primeira mão

Crusoé, 2026,
Todos os direitos reservados
Com inteligência e tecnologia:
Object1ve - Marketing Solution
Quem somos Princípios Editoriais Assine Política de privacidade Termos de uso