A trumpenização da Fifa
Com a subserviência dócil de Infantino, o americano passou a entender que pode também se meter no torneio de futebol, esporte que ele mal conhece
A Fifa já foi conhecida por impor a sua vontade aos países-sede da Copa do Mundo.
No Brasil, que sediou o torneio em 2014, uma lei teve de ser aprovada dois anos antes pelo Congresso para permitir o consumo de cerveja nos estádios.
A Fifa ainda foi criticada, sem qualquer resultado, por obter isenções fiscais e por assumir o controle de áreas públicas próximas aos lugares dos jogos.
De nada adiantou.
Nossas instituições democráticas tiveram de se submeter aos caprichos da organização internacional que comanda o maior torneio de futebol do mundo.
Mas a Fifa já não é mais a mesma.
A organização foi afetada por uma série de escândalos de corrupção, em que governos endinheirados e autoritários foram acusados de comprar o direito de sediar o evento.
A queda no interesse pelo futebol e a resistência de diversos povos em gastar dinheiro na construção de estádios levaram a entidade a escolher vários países para acolher um mesmo evento.
É por isso que esta Copa acontece em três países: Estados Unidos, Canadá e México.
Quando Gianni Infantino começou a bajular Trump às vésperas da Copa, ele fez isso em uma posição de fraqueza.
Sua ideia de dar um recém-criado Prêmio Fifa da Paz para Trump em dezembro de 2025, depois que o Nobel da Paz foi concedido à venezuelana María Corina Machado, inflou ainda mais o ego do presidente, que se sentiu ainda mais livre para fazer o que bem entender.
Trump já não tem limites ao enfrentar as instituições democráticas americanas ou iniciar ações militares no resto do mundo.
Com a subserviência dócil de Infantino, o americano passou a entender que pode também se meter no torneio de futebol, esporte que ele mal conhece.
Até a semana passada, Trump nem sequer sabia o que era um cartão vermelho.
Nesta semana, conseguiu reverter o cartão vermelho dado a um jogador americano.
Não há precedente no mundo de um chefe de governo tomar esse tipo de atitude.
Agora, Trump faz o que quer na Copa do Mundo.
E não há muito o que possa ser feito para detê-lo.
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