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Quem ganha na queda de braço entre Netanyahu e Benny Gantz em Israel

03.12.20 08:31

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, está em uma quebra de braço com o ministro da Defesa, Benny Gantz (foto). A disputa pode terminar com a dissolução do Parlamento e a convocação de uma quarta eleição em menos de dois anos.

Em abril deste ano, os dois concordaram em ficar, cada um, 18 meses no cargo de primeiro-ministro. O arranjo foi uma necessidade porque nenhum dos partidos, o Likud de Netanyahu e o Azul e Branco de Gantz, conseguiu formar uma coalizão com a maioria das 120 cadeiras do Parlamento.

Benny Gantz, do partido Azul e Branco, aceitou revezar depois na cadeira do primeiro-ministro, pensando que poderia conseguir algumas coisas até lá. “Com a chegada da Covid, o Azul e Branco tomou a decisão de fazer um acordo nacional para aprovar o orçamento, preservar o Judiciário e evitar a anexação de partes dos territórios ocupados na Cisjordânia”, diz a cientista política Gayil Talshir, da Universidade Hebraica de Jerusalém.

Em relação à anexação da Cisjordânia, o partido foi bem-sucedido. O orçamento, porém, não vai adiante por outro motivo. Quem o está emperrando é Netanyahu. “A única maneira de ele impedir o rodízio do posto para Gantz é impedindo a aprovação do orçamento. O resultado é que, no meio da pandemia, Israel não tem um orçamento aprovado porque Netanyahu quer barrar o rodízio no cargo”, diz Gayil. “O preço, quem está pagando, é a sociedade israelense.”

Com o impasse, membros do partido Azul e Branco agora querem pressionar Netanyahu a aprovar não apenas o orçamento de 2020, como o de 2021. Eles também querem que Bibi comprometa-se em fazer o rodízio na cadeira de primeiro-ministro.

Quem mais tem perdido nesse jogo de forças é o Azul e Branco, que dificilmente conseguiria as 33 cadeiras do Parlamento que obteve na eleição anterior. “Em uma próxima eleição, o mais provável é que outro partido ganhe força para desafiar Netanyahu”, diz Gayil.

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