A 'ética da máfia' de Gilmar chega pelo zap
Nas conversas com Luiz Fux e Nunes Marques, decano da Corte tenta intimidar colegas e exige ações drásticas
A máfia tem o seu código de ética, como bem lembrou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes (foto) na sessão de terça, 15 de setembro.
Para lucrar com negócios ilegais — seja o contrabando ou o narcotráfico —, a máfia organiza uma estrutura hierarquizada que dissemina o medo na sociedade e entre os seus integrantes.
Qualquer um que desafie o negócio do grupo é intimidado ou, no limite, eliminado.
Uma estrutura armada é formada na clandestinidade para impor a força.
Para evitar qualquer ameaça, a máfia estabelece um código de silêncio na sociedade.
Ninguém é autorizado a falar sobre as atividades do grupo, sob pena de arcar com as consequências.
Além disso, cria-se uma estrutura paralela ao Estado, que parasita a máquina pública e, ao mesmo tempo, impede que a força das instituições atue para restabelecer a ordem.
Não existe o crime de máfia no Brasil, nem tampouco algum ministro do STF esteja perto de integrar algo parecido.
Mas é uma coincidência e tanto que Gilmar Mendes tenha falado de ética da máfia um dia antes de vazarem conversas entre ele e os colegas Luiz Fux e Nunes Marques.
Nos diálogos, Gilmar atua às escondidas para intimidar os demais juízes e obrigá-los a atender seus desejos.
Com isso, faz algo totalmente fora do regulamento interno da Corte e da Constituição, que exigem o decoro e proíbem os togados de atuar por questões e interesses pessoais.
Gilmar tenta limitar as ações de Fux antes da sessão do dia 15: "Isto revela qq coisa menos postura institucional. Espero que nao se repita” e "Soh cuide de atuar como Presidente da turma".
Nas falas para Nunes Marques, Gilmar chega a cobrar atitudes drásticas, como deixar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE): "Todos dizendo q vcs são reféns do andre... ok abram as contas", "Vc e o Fux parecem submissos", "Assumam que estão ferrados e saiam dos processos. Abram as contas", "Vc tem de sair do tse também" e "Já falei com Fux. Eu entendo de Malandro".
Não há ameaças veladas para obrigar que os interlocutores façam o que Gilmar manda.
Fux não cedeu e mandou a frase: "Cuide de não encher o meu saco!".
Nunes Marques bloqueou Gilmar no WhatsApp, mas se declarou impedido no início da sessão em um ato covarde e excêntrico, alegando que o julgamento poderia afetar o cenário político-eleitoral e a sua posição de presidente do TSE.
Fux e Nunes Marques não prestaram queixas das mensagens agressivas de Gilmar, mas vazaram as conversas para os jornalistas.
Ao final, vai acabar prevalecendo o código de silêncio.
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