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À espera da ajuda dos EUA, mercado argentino segue tenso

Falta de informações oficiais sobre ajuda dos EUA e esgotamento das reservas aumentam pressão cambial e volatilidade na Argentina

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José Inácio Pilar
3 minutos de leitura 09.10.2025 08:52 comentários 0
À espera da ajuda dos EUA, mercado argentino segue tenso
Imagem: Rede Social Javier Milei/X
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O mercado argentino vive um momento de tensão diante da crescente incerteza sobre as reservas internacionais e a capacidade do governo de sustentar sua intervenção cambial.

Enquanto não há divulgação oficial recente desses números, nem um panorama concreto da esperada ajuda do Tesouro americano, que por enquanto só está na promessa, ainda que reiterada, os operadores observam com cautela o comportamento do dólar, cujas cotações flutuam sob efeito direto das ações do Tesouro e da liquidez restrita no mercado interno.

Na última sessão, o câmbio oficial fechou em 1.429,74 pesos, praticamente estável, mas os tipos financeiros mostraram variações expressivas: o dólar MEP avançou, o contado com liquidação recuou um pouco, e a cotação do dólar Blue subiu, destacando a fragilidade do equilíbrio vigente.

O dólar Blue é a moeda comprada no mercado paralelo, não oficial. Já o dólar MEP é usado pelo mercado financeiro, incluindo cartões internacionais de crédito e débito, com um valor um pouco menor que o dólar Blue.

Para frear essa escalada, o Tesouro argentino vendeu dólares por ordem do Banco Central nas últimas rodadas, estimando-se uma liquidação de 1.715 milhões em cinco dias, movimento que reduziu severamente os depósitos em moeda estrangeira.

Essa drenagem reforçou o aperto de liquidez em pesos, aumentando os juros de curtíssimo e gerando comportamento mais volátil nas taxas em operações de curta duração.

Ao mesmo tempo, na política e externa, o FMI reafirmou que a recomposição das reservas deve ser o maior objetivo, pois sem elas, a Argentina não pode honrar compromissos externos nem sustentar os programas econômicos que gerem algum apoio social.

Mas, segundo estimativas, hoje o país só possuiria cerca de metade das reservas que os parâmetros do próprio Fundo apontam como adequadas, situação que alimenta dúvidas sobre a sustentabilidade da atual política cambial.

Os contratos futuros já precificam uma depreciação gradual. Hoje, para novembro, o dólar futuro opera em cerca de 1.550 pesos. Para dezembro, está na casa de 1.600, e subindo nos meses seguintes, sinal de que o mercado espera um novo reajuste ou mudança no regime cambial.

Essa pressão cambial também é política. Até 26 de outubro, data das eleições legislativas, a volatilidade deve seguir em alta, mesmo que o Banco Central se esforce por defender a banda superior de 1.482 pesos com os recursos de que dispõe, estimados em 13 bilhões de dólares do FMI mais saldos de tesouro e títulos relacionados.

Essas eleições serão muito importantes para Javier Milei saber se terá mais ou ainda menos apoio no congresso, onde hoje não tem maioria e tem enfrentado derrotas importantes na sua agenda de reformas econômicas.

Em paralelo, o Congresso aprovou uma restrição cruzada que limita quem compra dólares oficiais de revender em mercados financeiros durante 90 dias, estratégia que reintroduz certa assimetria entre os mercados e pode estimular arbitragem.

Juntando as limitações de comunicação pública, o esgotamento parcial das reservas e tensões eleitorais, a corrida por divisas, a volatilidade e o risco de rompimento do atual arcabouço cambial seguem como variáveis críticas para o futuro imediato da economia argentina.

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