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A chance de uma ditadura chavista no Peru

09.05.21 11:58

Segundo o instituto de pesquisa Ipsos, 45% dos peruanos acreditam que, se o candidato Pedro Castillo (foto) vencer o segundo turno no dia 6 de junho, o Peru voltará a ter uma ditadura.

No mesmo levantamento, Castillo aparece como o favorito nas eleições, com 43% das intenções de voto. Sua adversária, Keiko Fujimori, tem 34%. Em uma outra pesquisa, do instituto Datum, Castillo vence, mas por uma margem menor: 41% contra 36% da concorrente.

Uma das principais promessas de Castillo é uma reforma constitucional. Caso o Congresso se recuse a fazê-la, ele cogita dissolver o parlamento e convocar novas eleições.

Na economia, o plano de governo proposto pelo Peru Livre, partido de Castillo, prevê um estado socialista inspirado na Bolívia de Evo Morales e no Equador de Rafael Correa. Os ditadores venezuelanos Hugo Chávez e Nicolás Maduro e os cubanos Fidel e Raúl Castro são citados como exemplos em política exterior e de integração da América Latina.

O programa inclui o fim das aposentadorias privadas, a revisão dos contratos com empresas estrangeiras, a nacionalização de recursos naturais e o controle da imprensa. “O socialismo não advoga pela liberdade de imprensa, mas pela imprensa comprometida com a educação e a coesão do povo“, diz o texto.

Em entrevistas recentes, Castillo tentou se distanciar do plano de governo elaborado por seu partido. “Aqui não tem nada de chavismo“, afirmou. Mas há dúvidas sobre qual seria o seu grau de autonomia em relação à legenda e a Vladimir Cerrón, o fundador e chefe do Peru Livre.

Castillo não é um quadro político formado ideologicamente. Ele é um professor de escola rural sem experiência em liderança até a greve nacional de professores de 2017. Ele só saiu do país duas vezes: ambas para a Bolívia, para se encontrar com os dirigentes sindicais do Movimento ao Socialismo (MAS, partido criado por Evo Morales)”, diz o cientista político peruano Carlos Meléndez, da Universidade Diego Portales, do Chile.

Cerrón, por sua vez, sempre foi envolvido com política. “Cerrón é um marxista-leninista que estudou mais de dez anos em Cuba e tem mantido uma relação estreita com a ilha. Castillo é sincero quando diz que não há nada de chavismo. O que existe é castrismo“, afirma Meléndez.

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  1. Quero mais que o 🦃 se afunde em miséria. Se o povo, na sua ampla maioria opta pela estória fantasiosa do socialismo, que nada fez ao longo de sua história ao não ser matar mais que o nazismo e trazer miséria sem precedentes, que curtam a sua dor, em um futuro mais próximo do que possam imaginar... Ignóbil!

  2. O problema está no efeito cascata que essa possível mudança no Peru pode acarretar. É só atentar para os movimentos que Rússia e China fazem na Venezuela. Eis o objetivo do tal fórum São Paulo tomando forma. A grande obra do canalha bêbado, condenado e ladrão, ora "inocentado" pelos pares.

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