“A alma e a governança do futebol não são ativos para negociar.” Nesta terça-feira (28), a UEFA reagiu ao plano apresentado pela Fifa para criar uma empresa que concentraria as operações comerciais das principais competições da entidade e abriria espaço para investidores privados.
O projeto prevê a criação da Fifa Forward Enterprise (FFE), empresa que reuniria as atividades comerciais ligadas a torneios como a Copa do Mundo e o Mundial de Clubes.
Pela proposta, a Fifa manteria o controle majoritário da nova estrutura, além de autoridade exclusiva sobre calendário, regulamentos e organização esportiva das competições. Aos investidores externos restaria apenas uma fatia econômica minoritária do negócio, sem interferência direta nas decisões esportivas.
Uefa cobra explicações
Em comunicado oficial, a entidade europeia questionou a ausência de transparência sobre os beneficiários financeiros da operação e defendeu que federações, clubes, ligas, jogadores, torcedores e governos acompanhem de perto o desenrolar do processo.
“Isso ultrapassa um limite que as instituições responsáveis pelo futebol jamais deveriam cruzar”, afirmou a Uefa, completando que nenhuma entidade isolada é “dona” do esporte a ponto de negociar sua estrutura de governança com terceiros.
Fifa promete repasse maior às federações
Do lado da Fifa, a defesa é de que a injeção de capital privado seria decisiva para explorar todo o potencial dos direitos de transmissão e patrocínios da entidade em suas competições masculinas, femininas e de base.
Com o dinheiro arrecadado, a proposta prevê elevar o repasse anual a cada federação-membro dos atuais R$ 41 milhões para até R$ 102 milhões no ciclo até a Copa de 2030, chegando a R$ 123 milhões por ciclo até 2038. Segundo a entidade, a Fifa continuaria separando claramente as atividades comerciais das decisões que regulam o esporte propriamente dito.
Discussão já vinha sendo anunciada desde abril
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, já havia sinalizado a intenção de ampliar a exploração comercial das competições durante o congresso da entidade em Vancouver, no mês de abril, quando defendeu maiores investimentos no desenvolvimento do futebol ao redor do mundo.
Agora, com o projeto formalizado e a reação dura da Uefa, o impasse deve seguir como um dos principais focos de tensão institucional no futebol mundial nas próximas semanas.








