A UEFA formalizou nesta sexta-feira (07) a contratação de consultores financeiros independentes para auditar a metodologia de valoração utilizada pela FIFA na proposta cancelada de venda de 21% dos direitos comerciais da Copa do Mundo.
A medida marca o próximo passo na ofensiva da entidade europeia contra a gestão de Gianni Infantino, após a revelação de que o ativo mais valioso do futebol foi oferecido a investidores privados por um valor considerado “artificialmente baixo”.
A investigação
A investigação focará especificamente na discrepância entre a valoração de US$ 20 bilhões atribuída à nova subsidiária FIFA Forward Enterprise (FFE) e a realidade financeira do ciclo atual.
Documentos internos e projeções de mercado indicam que a receita total da FIFA para o quadriênio 2023-2026 deve atingir US$ 13 bilhões, impulsionada pela expansão do torneio para 48 equipes e pelos recordes de audiência e patrocínio na América do Norte.
Analistas consultados pela UEFA argumentam que vender uma participação majoritária nos lucros futuros por um múltiplo de apenas 1,5 vezes a receita anualizada ignora o potencial de crescimento exponencial dos direitos de mídia e licenciamento nas próximas décadas.
O que era a FFE?
O plano original, articulado em negociações sigilosas com a Thrive Capital, de Joshua Kushner, previa o repasse imediato de US$ 20 milhões a cada uma das 211 federações-membros da FIFA em troca da aprovação da venda.
No entanto, a proposta colapsou em menos de uma semana após a UEFA e outras confederações ameaçarem um boicote total às competições da entidade máxima. Em comunicado, a UEFA classificou o esquema como uma “manobra obscura de bastidores” e afirmou que a liderança atual da FIFA “perdeu a confiança” do futebol europeu.
Além do repúdio, a UEFA também exigiu transparência total sobre como o valor de US$ 20 bilhões foi calculado e quem seriam os reais beneficiários da operação a longo prazo.
Próximos passos
Enquanto a FIFA tenta recuperar a unidade do esporte sob a narrativa de que “ninguém está vendendo o futebol”, a auditoria independente da UEFA deve produzir um relatório técnico nas próximas semanas.
O documento poderá servir de base para ações legais ou para novas tentativas de destituição de Infantino, caso se prove que a tentativa de venda configurou má gestão patrimonial ou conflito de interesses.
A pressão política sobre o presidente da FIFA permanece intensa, com a entidade europeia deixando claro que não aceitará meras desculpas formais sem uma prestação de contas detalhada sobre a tentativa de monetização do patrimônio do futebol mundial.







