A tradicional Cooperativa Piá, fabricante de laticínios sediada em Nova Petrópolis, na Serra Gaúcha, anunciou nesta semana a suspensão temporária de toda a sua produção industrial e a concessão de férias coletivas a todos os seus colaboradores.
De acordo com informações de bastidores, a medida foi tomada em decorrência de uma grave crise financeira que acumula uma dívida estimada entre R$ 200 milhões e R$ 260 milhões.
A paralisação, iniciada no início de agosto de 2026, afeta a fabricação de leites, queijos, requeijões e doces de fruta. Em comunicado enviado aos clientes e parceiros comerciais, a cooperativa informou que não haverá abastecimento de produtos nas prateleiras durante o período de indefinição, sem apresentar uma previsão concreta para a retomada das atividades.
Cenário de liquidação
A decisão de parar as máquinas ocorre enquanto a entidade atravessa um processo de liquidação extrajudicial, aprovado unanimemente pelos associados em março de 2026. O mecanismo jurídico foi adotado para suspender ações de cobrança de credores e permitir uma reestruturação financeira ordenada.
Apesar da aprovação da liquidação ter garantido a continuidade operacional inicial, o fluxo de caixa insuficiente e o peso do passivo tornaram a manutenção da produção insustentável no curto prazo. O presidente e liquidante da cooperativa, Jorge Dinnebier, enfrenta o desafio de equilibrar as contas enquanto negocia o futuro da operação.
Negociações
Segundo analistas, o motivo central da suspensão atual é a ausência de uma definição final sobre a venda da marca Piá para a catarinense Tirol. Em junho de 2026, os cooperados aprovaram um pré-acordo que prevê a venda dos direitos da marca Piá à empresa de Santa Catarina.
O modelo de negócio proposto inclui pontos cruciais para a cooperativa, como a manutenção da fábrica. A Tirol não comprará os ativos físicos; a produção continuaria sendo realizada na planta de Nova Petrópolis pela própria cooperativa. Além de manter a fábrica, a Piá também manteria os direitos sobre produtos não lácteos, como doces de fruta.
Enquanto as tratativas não são finalizadas, a cooperativa permanece em um tipo de “limbo”. A direção afirma trabalhar para que o período de paralisação seja o mais breve possível, condicionando o retorno das atividades e o fim das férias coletivas ao êxito nas negociações com a Tirol e ao reequilíbrio financeiro.







