Um sistema desenvolvido por pesquisadores da Fiocruz Bahia e da Coppe/UFRJ, hoje em fase de implementação pelo Ministério da Saúde, conseguiu antecipar em até três semanas o aumento de internações por doenças respiratórias em cerca de 60% dos casos analisados, ao cruzar dados da atenção primária do SUS com informações de vendas de medicamentos em farmácias.
Chamado de AESOP, sigla em inglês para Sistema de Antecipação de Surtos com Potencial Pandêmico, o modelo integra dados da Atenção Primária à Saúde (APS), registrados no Sisab (Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica), com dados de vendas de medicamentos isentos de prescrição, como descongestionantes nasais, adquiridos junto à empresa de tecnologia em saúde IQVIA.

Atenção Primária muda vidas
A Atenção Primária à Saúde é a principal porta de entrada do SUS, organizada sobretudo nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), onde equipes multiprofissionais da Estratégia Saúde da Família acompanham a população de territórios definidos.
Por captar sintomas leves antes de eles evoluírem para quadros graves, essa camada do sistema de saúde funciona como um radar precoce para identificar o início de um surto, antes mesmo de qualquer impacto visível nos hospitais.
Resultado que não é padrão no país
O estudo identificou desempenho desigual entre as regiões brasileiras: em cerca de três quartos do território nacional, pelo menos uma das duas fontes de dados (atenção primária ou venda de medicamentos) apresentou boa performance na antecipação de surtos.
As diferenças regionais refletem desigualdades já conhecidas na organização dos serviços de saúde, no acesso à assistência médica e nos próprios padrões de consumo de medicamentos entre diferentes localidades.
Resolução de problemas
Mapear os primeiros sinais de transmissão de uma doença é um dos principais desafios da saúde pública, seja diante de um vírus já conhecido, seja diante de um agente infeccioso emergente.
Segundo os pesquisadores, ganhar alguns dias, ou mesmo semanas, de antecedência pode fazer diferença significativa na forma como gestores organizam a assistência à população, direcionando leitos, insumos e profissionais antes que a demanda hospitalar dispare.








