A Defensoria Pública do Distrito Federal (DPDF) acionou o Ministério da Educação (MEC) nesta quarta-feira (15) depois de identificar uma questão de prova, voltada à formação de professores da rede pública, que trazia como resposta correta a sugestão de usar apostas simuladas como estratégia para ensinar matemática financeira a estudantes do ensino médio.
A questão fazia parte do curso “Mais Ensino Médio”, oferecido na plataforma Avamec, ambiente do MEC voltado à capacitação de professores.
Segundo o Núcleo de Defesa do Consumidor (Nudecon) da Defensoria, a alternativa considerada correta orientava o professor a incentivar os próprios estudantes a apostarem valores simbólicos entre si em sala de aula, como forma de tornar o ensino de matemática financeira “mais prático e divertido”.

Material grave
Para os responsáveis pela representação, a escola não deveria normalizar práticas já reconhecidas como nocivas, mesmo que o enunciado da questão mencionasse riscos de dependência e endividamento ligados às apostas.
Segundo o documento, mais de 10% dos adolescentes entre 14 e 17 anos já tiveram algum contato com apostas no Brasil, apesar da proibição legal para menores de idade.
Foi solicitado a retirada imediata da questão da plataforma Avamec, a identificação do responsável pela elaboração do material, a abertura de um procedimento administrativo disciplinar dentro do MEC e a análise de compatibilidade do conteúdo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
O ministério tem prazo de 15 dias úteis para responder formalmente à Defensoria.
O outro lado
Em nota, o Ministério da Educação afirmou que a Defensoria interpretou o material de forma equivocada. Segundo eles, a alternativa correta da questão seria outra, voltada a incluir, nos projetos de vida e nas disciplinas eletivas da escola, ações de prevenção a comportamentos de risco, como o envolvimento com jogos de azar.
O ministério disse ainda que a questão buscava justamente preparar professores para explicar aos alunos como as apostas funcionam, como forma de proteção contra o problema, e não como incentivo à prática.








