O atacante Neymar encerrou, nesta semana, o contrato de patrocínio da Pley by Ney, marca de bebidas assinada por ele, com o Santos FC. A decisão de não renovar o vínculo, que começou em julho de 2025, foi motivada pela inadimplência do clube, que acumula uma dívida de R$ 90,5 milhões com a NR Sports, do Neymar.
Além das dívidas com a gestora dos direitos de imagem do atleta, informações de bastidores também apontam que um desgaste entre o camisa 10 e o presidente do clube, Marcelo Teixeira, também foi um dos fatores.
Colapso da parceria comercial
A saída da Pley by Ney do uniforme santista é parte de uma debandada de patrocinadores que esvaziou a receita do clube. A marca, que ocupava espaços nobres como o meião e a faixa de capitão, injetava cerca de R$ 3 milhões anuais nos cofres do Peixe.
Além da marca de Neymar, o Santos perdeu outros quatro patrocinadores simultaneamente: EQR, Nissei, Álamo e Corpx. Com esse “êxodo” de patrocinadores, analistas avaliam que a receita com espaços publicitários no uniforme despencou de R$ 60 milhões para aproximadamente R$ 40 milhões neste segundo semestre de 2026.
A dívida com Neymar
O ponto central da crise é o passivo reconhecido oficialmente pelo Santos junto à empresa da família de Neymar. Em um quinto aditivo contratual assinado em abril de 2026, o clube detalhou o plano para quitar os R$ 90,5 milhões referentes aos direitos de imagem.
No caso, a dívida do clube está dividida em duas partes: a primeira está no valor de R$ 26 milhões referente ao contrato anterior de Neymar com o Santos, que deveria ter sido pago em cinco parcelas de R$ 5,2 milhões entre janeiro e maio de 2026. No entanto, o clube atrasou parte desses pagamentos.
A segunda parte está no valor de R$ 64,5 milhões. Nesse caso, um novo cronograma foi estabelecido para quitar o restante, originalmente previsto em 43 parcelas mensais de R$ 1,5 milhão, com correção pelo IPCA/FGV, estendendo-se até o início de 2030.
Para garantir esse pagamento, o Santos ofereceu como garantia jurídica o CT Meninos da Vila, o sagrado centro de treinamento onde foram revelados Pelé, Neymar e tantos outros ídolos.
O contrato original continha cláusulas de aceleração de dívida que permitiriam à NR Sports exigir o pagamento total imediato em caso de calote ou mudança na presidência.
Embora uma repactuação recente tenha removido a cláusula ligada à reeleição de Marcelo Teixeira, o risco de execução da garantia sobre o CT permanece caso o clube falhe em quitar as parcelas mensais.
Desgaste político e transfer ban
Além da dívida, analistas apontam que a relação entre Neymar e o presidente Marcelo Teixeira se deteriorou visivelmente nos últimos meses. Relatos de bastidores indicam que o atleta e seu pai, Neymar Pai, estão insatisfeitos com a gestão financeira e com supostos vazamentos de informações prejudiciais vindos da diretoria.
Fora os desgastes com Neymar, o clube também foi punido pela FIFA devido à inadimplência. A entidade impôs ao clube um transfer ban devido às dívidas não quitadas, incluindo um débito de aproximadamente R$ 12 milhões com o AS Monaco pela transferência do volante Jean Lucas.







