O Banco Central estuda mudanças no campo de descrição das transferências via Pix depois de identificar o uso da ferramenta para ofensas, intimidações e ameaças.
Apesar disso, não existe decisão para encerrar o recurso, nem prazo definido para uma eventual alteração. A autoridade monetária criou um grupo de trabalho para analisar alternativas antes de decidir se novas regras serão necessárias.
O campo foi criado para permitir que o pagador inclua informações objetivas relacionadas à transferência. O BC identificou situações em que usuários passaram a aproveitar o espaço como meio de comunicação, inclusive com transferências de valores muito baixos apenas para garantir que a mensagem chegasse ao destinatário.
Grupo discute alternativas para o recurso
Em março, a instituição informou oficialmente que o uso inadequado do campo de descrição estava entre as prioridades discutidas no Fórum Pix em 2026. O espaço reúne o BC e participantes do sistema financeiro para debater mudanças e aperfeiçoamentos no meio de pagamento.
A segunda edição do Relatório de Gestão do Pix, referente ao período de 2023 a 2025, voltou ao tema nesta semana, segundo o documento, caberá ao grupo de trabalho discutir alternativas que preservem a finalidade da ferramenta sem comprometer características essenciais do Pix. Somente depois dessa etapa o BC avaliará se alguma medida regulatória será adotada.
Portanto, ainda não há base para afirmar que o campo de mensagens será retirado dos aplicativos bancários. Limitações, mudanças no formato ou outras formas de controle continuam entre possibilidades que podem ser discutidas, mas nenhuma solução foi anunciada como definitiva.
Pix movimentou R$ 35 trilhões em 2025
Segundo dados apresentados pelo Banco Central no relatório e reproduzidos pela Folha de S.Paulo, aproximadamente 148 milhões de pessoas e 12,8 milhões de empresas utilizaram o Pix em 2025. Ao longo do ano, foram cerca de 80 bilhões de operações, com movimentação próxima de R$ 35 trilhões.
Além das mensagens, o BC mantém uma agenda voltada ao combate a fraudes. Entre os projetos citados no relatório está o desenvolvimento de um indicador centralizado para calcular a probabilidade de fraude nas transações, além de mudanças no bloqueio cautelar e na comunicação entre instituições financeiras.
O BC não informou uma data para a conclusão dessa discussão.








