Gianni Infantino deu 53 dias para que as 211 federações-membro da Fifa aprovem a venda de parte dos ativos comerciais da Copa do Mundo a investidores privados, e amarrou a decisão a um incentivo financeiro direto: quem votar a favor recebe US$ 20 milhões à vista, além de repasses maiores ao longo do próximo ciclo. Além disso, quem rejeitar o plano fica restrito ao valor padrão de US$ 10 milhões já previsto para o período.
Pela proposta, a Fifa Forward Enterprise (FFE) concentraria os direitos comerciais da Copa do Mundo, do Mundial de Clubes e de outras competições da entidade, avaliada em US$ 20 bilhões, com venda de cerca de 20% do capital a investidores minoritários.
Infantino ofereceu, em carta a dirigentes de todo o mundo, um pagamento imediato de US$ 20 milhões a cada federação que apoiar o projeto, somado ao aumento do repasse do programa Fifa Forward, de US$ 8 milhões para US$ 20 milhões no ciclo até 2030.
Juntas, as duas verbas somariam US$ 40 milhões por país, quatro vezes mais do que o valor garantido a quem recusar a proposta.
Brasil já viveu escândalo de suborno dentro da Fifa
Nos anos 1990 e 2000, o esquema da extinta empresa de marketing suíça ISL pagou milhões de dólares em propina a dirigentes da Fifa para garantir contratos de direitos de TV e marketing, incluindo o então presidente João Havelange e seu genro Ricardo Teixeira, presidente da CBF entre 1989 e 2012.
O escândalo só veio à tona publicamente em 2010, e resultou no banimento vitalício de ambos do futebol. Cinco anos depois, o chamado Fifagate levou à prisão, em Zurique, de outro ex-presidente da CBF, José Maria Marin, que ficou quase cinco anos sob custódia nos Estados Unidos.
Uefa ameaça boicote
Diante do novo plano, a Uefa foi a primeira a reagir publicamente, classificando a proposta como uma linha que “as instituições do futebol nunca deveriam cruzar” e convocando reunião de emergência para discutir um possível boicote à Copa de 2030.
Concacaf e a confederação asiática (AFC) também expressaram desconforto com a falta de transparência sobre quem, exatamente, vai lucrar com a entrada de capital privado. A CBF ainda não se manifestou publicamente sobre como pretende votar.







