O lançamento dos primeiros óculos inteligentes da Apple, que originalmente estavam previstos para chegar ainda este ano, foi adiado para 2027. A informação é do jornalista Mark Gurman, que detalhou os desafios internos enfrentados pela empresa para viabilizar o novo hardware sem comprometer sua reputação em privacidade.
Segundo Gurman, as equipes que atuam no projeto dentro do grupo de hardware Vision da Apple, e em outras áreas da empresa, tratam a privacidade como “prioridade número 1”.
Para isso, a companhia estaria desenvolvendo recursos inéditos de hardware e software, ainda ausentes em seus produtos atuais. Entre as medidas cogitadas está desativar automaticamente a gravação caso o sistema detecte que a luz indicadora foi adulterada, numa proteção semelhante à já adotada pela Meta em seus óculos com IA.
Empresa avalia até versão sem câmera
A Apple também avalia lançar versões com funcionalidades de câmera reduzidas, incluindo a possibilidade de um modelo sem câmera alguma ou com um sistema de captura limitado, incapaz de gravar fotos ou vídeos.
O impasse interno, inclusive, opõe as equipes de engenharia e marketing quanto à necessidade de incluir o recurso, o que ajuda a explicar o atraso no cronograma original, que previa até um anúncio já em 2025.
Contexto da indústria reforça a cautela
A cautela da Apple reflete um problema que já ultrapassou os limites da própria empresa: tribunais do estado de Nova York proibiram o uso de óculos inteligentes em salas de audiência, a Royal Caribbean vetou os dispositivos em cassinos, banheiros e áreas infantis de seus navios, e a própria Samsung já classificou a questão como um desafio que exige “solução partilhada” por toda a indústria.
Com a apresentação prevista para a Worldwide Developers Conference (WWDC) de junho de 2027 e chegada ao mercado no fim do mesmo ano, a Apple entra em 2027 disposta a competir de frente com Meta e Samsung nesse segmento, mas só depois de blindar juridicamente o produto contra as polêmicas que já afetam concorrentes.







