Um surto tem desafiado a rotina de famílias e instituições de ensino infantil em todo o país: a Síndrome Mão-Pé-Boca (SMPB). Causada principalmente pelos vírus Coxsackie A16 e Enterovírus 71 (EV-A71), a doença virou um pesadelo para creches devido à sua altíssima contagiosidade.
Cenário nas creches
Diretores de creches relatam dificuldades para conter a disseminação do vírus. “Basta uma criança infectada para que, em poucos dias, tenhamos múltiplos casos”, relata uma coordenadora pedagógica da rede privada.
O problema se agrava pelo fato de que o período de maior contágio coincide com os primeiros dias de sintomas, quando a criança ainda não foi diagnosticada, e pela transmissão assintomática, em que adultos ou crianças sem sinais visíveis da doença atuam como vetores.
De acordo com as autoridades, a medida mais eficaz tem sido o afastamento imediato de qualquer criança que apresente febre súbita seguida de aftas dolorosas e erupções cutâneas nas palmas das mãos e solas dos pés.
As instituições estão reforçando protocolos de limpeza com hipoclorito de sódio, único agente capaz de inativar o vírus em superfícies, já que desinfetantes comuns e álcool mostram eficácia limitada.
Sinais de alerta para os pais
A identificação precoce é a principal arma das famílias. Segundo especialistas, o quadro clínico típico inicia com febre alta e mal-estar, evoluindo rapidamente para o surgimento das manchas e erupções características na boca, nas mãos e nos pés.
Além disso, especialistas também destacam que a doença afeta o comportamento das crianças, que geralmente ficam mais irritadiças e se recusam a comer por causa da dor na boca.
“Eles não conseguem comer direito, ficam muito irritados. A dor das aftas é o que mais preocupa”, descreve uma pediatra.
O tratamento é exclusivamente sintomático, focado em hidratação e controle da dor, sem a necessidade de antivirais específicos. A recuperação ocorre naturalmente em 7 a 10 dias.
Retorno às aulas
A maior fonte de ansiedade para pais e gestores escolares reside nos critérios de retorno. De acordo com as diretrizes de saúde pública, a criança só pode voltar à creche após estar afebril por 24 horas sem medicação, com as lesões orais cicatrizadas e as bolhas na pele secas.
No entanto, o alerta permanece mesmo após o retorno. Estudos confirmam que o vírus continua sendo eliminado nas fezes por 3 a 8 semanas, exigindo que as creches mantenham a higiene rigorosa nas trocas de fraldas e que os pais redobrem a atenção à lavagem das mãos em casa.
Complicações
Embora a maioria dos casos evolua sem sequelas, autoridades de saúde alertam para o risco de complicações neurológicas associadas à cepa EV-A71, que pode causar meningite e encefalite.
Além disso, especialistas observam que, semanas após a infecção, algumas crianças podem apresentar queda temporária das unhas, um efeito colateral benigno, mas que assusta os responsáveis.
A orientação das autoridades sanitárias é que, diante de qualquer suspeita, procure imediatamente um pediatra e mantenha a criança em isolamento domiciliar.







