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Pesadelo dos pais e das creches: entenda como identificar e tratar a síndrome do mão-pé-boca

Por Júlio Nesi
08/08/2026
Em Geral
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Imagem meramente ilustrativa.

Foto: Pavel Danilyuk / Pexels

Imagem meramente ilustrativa. Foto: Pavel Danilyuk / Pexels

Um surto tem desafiado a rotina de famílias e instituições de ensino infantil em todo o país: a Síndrome Mão-Pé-Boca (SMPB). Causada principalmente pelos vírus Coxsackie A16 e Enterovírus 71 (EV-A71), a doença virou um pesadelo para creches devido à sua altíssima contagiosidade.

Cenário nas creches

Diretores de creches relatam dificuldades para conter a disseminação do vírus. “Basta uma criança infectada para que, em poucos dias, tenhamos múltiplos casos”, relata uma coordenadora pedagógica da rede privada.

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O problema se agrava pelo fato de que o período de maior contágio coincide com os primeiros dias de sintomas, quando a criança ainda não foi diagnosticada, e pela transmissão assintomática, em que adultos ou crianças sem sinais visíveis da doença atuam como vetores.

De acordo com as autoridades, a medida mais eficaz tem sido o afastamento imediato de qualquer criança que apresente febre súbita seguida de aftas dolorosas e erupções cutâneas nas palmas das mãos e solas dos pés.

As instituições estão reforçando protocolos de limpeza com hipoclorito de sódio, único agente capaz de inativar o vírus em superfícies, já que desinfetantes comuns e álcool mostram eficácia limitada.

Sinais de alerta para os pais

A identificação precoce é a principal arma das famílias. Segundo especialistas, o quadro clínico típico inicia com febre alta e mal-estar, evoluindo rapidamente para o surgimento das manchas e erupções características na boca, nas mãos e nos pés.

Além disso, especialistas também destacam que a doença afeta o comportamento das crianças, que geralmente ficam mais irritadiças e se recusam a comer por causa da dor na boca.

“Eles não conseguem comer direito, ficam muito irritados. A dor das aftas é o que mais preocupa”, descreve uma pediatra.

O tratamento é exclusivamente sintomático, focado em hidratação e controle da dor, sem a necessidade de antivirais específicos. A recuperação ocorre naturalmente em 7 a 10 dias.

Retorno às aulas

A maior fonte de ansiedade para pais e gestores escolares reside nos critérios de retorno. De acordo com as diretrizes de saúde pública, a criança só pode voltar à creche após estar afebril por 24 horas sem medicação, com as lesões orais cicatrizadas e as bolhas na pele secas.

No entanto, o alerta permanece mesmo após o retorno. Estudos confirmam que o vírus continua sendo eliminado nas fezes por 3 a 8 semanas, exigindo que as creches mantenham a higiene rigorosa nas trocas de fraldas e que os pais redobrem a atenção à lavagem das mãos em casa.

Complicações

Embora a maioria dos casos evolua sem sequelas, autoridades de saúde alertam para o risco de complicações neurológicas associadas à cepa EV-A71, que pode causar meningite e encefalite.

Além disso, especialistas observam que, semanas após a infecção, algumas crianças podem apresentar queda temporária das unhas, um efeito colateral benigno, mas que assusta os responsáveis.

A orientação das autoridades sanitárias é que, diante de qualquer suspeita, procure imediatamente um pediatra e mantenha a criança em isolamento domiciliar.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Júlio Nesi

Júlio Nesi

Jornalista alagoano formado pela UFAL, já atuei em produção de conteúdo digital para portais, rádio e redes sociais.

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Foto: Pavel Danilyuk / Pexels

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