A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou nesta terça-feira (18) que ainda é possível controlar o surto de ebola na República Democrática do Congo (RDC) dentro de um prazo de três meses, reiterando uma avaliação já feita pela entidade no início do mês.
A epidemia, no entanto, segue avançando: nos últimos dias, espalhou-se para uma sexta província do país africano.
Diretor da OMS classifica surto como “longe de estar sob controle”
O balanço mais recente, divulgado nesta segunda-feira (17) pelas autoridades congolesas, aponta mais de 5 mil casos confirmados e cerca de 2,3 mil mortes, tornando este o surto de ebola mais mortal da história do país e o segundo mais letal já registrado no mundo, atrás apenas da epidemia da África Ocidental entre 2014 e 2016.
Diante desses números, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou que “a epidemia está longe de estar sob controle” e voltou a chamar atenção para o alto risco de disseminação internacional, durante reunião do Comitê de Emergência sobre o ebola.
A RDC declarou o surto em 15 de maio, com semanas de atraso, nas regiões norte e leste do país, onde a presença do Estado é frágil e a infraestrutura de saúde é precária. Atualmente, a OMS classifica o risco à saúde pública como “muito alto” dentro da RDC, “alto” em Uganda e países vizinhos, e “baixo” no restante da África e do mundo.
Desconfiança da população dificulta resposta ao surto
Segundo levantamento da própria OMS, entre 60% e 70% das mortes ocorrem dentro de casa, fora das unidades de tratamento, o que sugere que as equipes de resposta estão conseguindo identificar apenas cerca de um terço dos casos reais.
A insegurança causada pela presença de grupos armados na região, somada à desconfiança da população local, dificulta ainda mais as ações de contenção. Entre as medidas prioritárias discutidas pela organização está a criação de 400 leitos exclusivos para pacientes de ebola.
Apesar do agravamento recente, a OMS mantém a avaliação de que uma mudança de tendência é possível dentro de três meses, desde que todos os componentes da resposta sejam aplicados simultaneamente nas zonas de transmissão.
A entidade segue acompanhando de perto o avanço do surto, que já se espalhou para seis províncias do país.








