Uma brincadeira nascida dentro dos jogos eletrônicos saiu das telas e passou a lotar praças em cidades de diferentes regiões do Brasil.
Os campeonatos de “farmar aura” reúnem centenas, às vezes milhares, de jovens em disputas de carisma, criatividade e presença de palco, e já se espalharam por estados como Pará, Ceará, Minas Gerais e Santa Catarina.
A expressão tem origem no vocabulário dos games: “farmar” é o termo usado para acumular recursos ou pontos dentro de um jogo, enquanto “aura” descreve o magnetismo pessoal de alguém, a capacidade de impressionar só pela presença.

Juntas, as palavras passaram a designar a ideia de conquistar respeito simbólico por meio de atitudes marcantes.
Como começou
O primeiro campeonato organizado nesse formato aconteceu em Juazeiro do Norte, no Ceará, na Praça do Girodouro, no Dia dos Namorados deste ano.
O evento reuniu dezenas de jovens disputando quem acumulava mais “pontos de presença” e viralizou rapidamente nas redes sociais, somando milhões de visualizações em vídeos publicados no TikTok, no Instagram e no X.
Nas competições, os participantes se revezam em uma roda formada pelo próprio público e apresentam performances de dança, frases de efeito, poses e outras formas de expressão consideradas criativas ou engraçadas. Jurados avaliam critérios como “aura”, “ego” e criatividade para eleger quem vence cada rodada.
O fenômeno se espalhou rápido
Depois de Juazeiro do Norte, novos campeonatos surgiram em municípios do Pará, como Cametá, Belém e Barcarena, além de cidades do Ceará, Minas Gerais e Santa Catarina.
Em Cametá, um evento organizado por um frentista da cidade reuniu mais de 300 jovens e se tornou um dos principais responsáveis por impulsionar a tendência para outras regiões do país.
Parte de um vocabulário maior da internet
Os campeonatos de “farmar aura” também se cruzam com outra expressão popular entre adolescentes, o “six seven” (ou “6-7”), termo surgido nos Estados Unidos em 2025 e que não tem um significado fixo, mas circula como bordão e gesto entre jovens da geração Alpha e da geração Z.
A combinação desses códigos, que muitas vezes soam sem sentido para gerações mais velhas, tem sido descrita como parte de uma linguagem própria criada nas redes e depois levada para encontros presenciais.







