A Meta promoveu cortes expressivos no quadro de pessoal ao longo de 2026 enquanto acelera os investimentos em inteligência artificial, e a combinação gerou um ambiente interno de tensão.
Em abril, o CEO Mark Zuckerberg comunicou em reunião com funcionários que a empresa demitiria cerca de 10% da força de trabalho, aproximadamente 8 mil pessoas, a partir de maio. Novos cortes foram sinalizados para o segundo semestre.
A justificativa apresentada por Zuckerberg foi direta: a Meta tem dois grandes centros de custo, infraestrutura de computação e capital humano, e ao aumentar os gastos em um, precisa reduzir o outro.
“Se estivermos investindo mais em uma área para atender à nossa comunidade, isso significa que teremos menos capital para alocar na outra”, disse o executivo.
Ao mesmo tempo, ele negou que as demissões sejam causadas pela substituição de funções por sistemas de IA. “Fazer com que todos usem internamente as ferramentas de IA e fazer o trabalho de forma mais eficiente não é o que está causando as demissões”, afirmou.
Dois episódios que acenderam o estopim
Dois fatores aprofundaram a revolta interna: primeiro, a ausência de comunicação direta sobre as demissões enquanto a empresa divulgava publicamente sua “transformação organizacional orientada por IA”, deixando funcionários sem resposta sobre seus cargos.
Segundo, a implementação de um sistema de rastreamento que monitora movimentos do mouse, cliques e teclas digitadas dos empregados para treinar agentes de IA.
Mais de 1.600 funcionários assinaram um documento pedindo a suspensão do sistema de monitoramento. Críticas abertas a Zuckerberg e outros líderes foram registradas nos fóruns internos da empresa e obtidas pela Reuters.
Cenário do mercado
A Meta registrou lucro expressivo no primeiro trimestre de 2026, impulsionado pela publicidade, o dinheiro entra, mas a estratégia de alocar bilhões em infraestrutura de IA gera um desequilíbrio que a empresa resolve cortando pessoal.
A consultoria Forrester aponta que 90% das empresas que anunciam demissões justificando pela IA ainda não têm sistemas maduros para substituir as funções cortadas.
“Nove em cada dez companhias que anunciam essas demissões não possuem sistemas de IA maduros e prontos para substituir totalmente as funções”, afirma J.P. Gownder, analista da Forrester. Na prática, o discurso de modernização tecnológica pode estar sendo usado para justificar cortes que têm raízes em outras pressões financeiras.
A Meta projeta novos cortes para o segundo semestre e ainda não detalhou o alcance das próximas rodadas de demissões.




