A Meta, empresa dona do Instagram, anunciou nesta semana uma mudança drástica em suas políticas de moderação, visando especificamente o combate ao assédio e à violação de privacidade realizados através de óculos inteligentes.
A medida, confirmada por Adam Mosseri, chefe do Instagram, resulta no banimento imediato de contas e na remoção de conteúdos, incluindo reels e stories, que explorem pessoas filmadas sem consentimento.
A nova diretriz foi estabelecida em resposta ao uso indevido dos óculos inteligentes Ray-Ban Meta por criadores de conteúdo que produzem vídeos de “pegadinhas” e de “artistas de cantada” em espaços públicos.
Medida contra “óculos pervertidos”
A decisão da Meta marca um ponto de virada no combate ao que a imprensa e o público passaram a chamar de “óculos pervertidos”. Até então, a natureza discreta dos dispositivos permitia que criadores gravassem interações constrangedoras, assédio sexual e humilhação de funcionários de serviços e transeuntes sem que as vítimas soubessem estar sendo filmadas.
Em um comunicado oficial publicado em seus Stories, Adam Mosseri afirmou que o Instagram não irá tolerar esse tipo de conteúdo: “Não queremos que as pessoas gravem vídeos secretamente de outras pessoas, as assediem e depois publiquem em nossa plataforma”, declarou.
A nova política determina que qualquer conteúdo capturado com óculos inteligentes que degrade, envergonhe ou explore indivíduos será removido, e os responsáveis sofrerão sanções que incluem a desativação permanente de suas contas.
Após o anúncio, a Meta confirmou a desativação de pelo menos duas contas de grande porte, cada uma com mais de um milhão de seguidores, que eram especializadas em postar vídeos de abordagens não consensuais a mulheres em academias e ruas, bem como pegadinhas com trabalhadores do varejo.
Repercussão
A decisão foi recebida com alívio por defensores da privacidade, embora críticos apontem que a ação é tardia diante da proliferação de conteúdos danosos nos últimos meses. A pressão pública aumentou significativamente após incidentes em universidades e locais públicos, onde vítimas relataram trauma ao descobrir que haviam sido filmadas e viralizadas sem seu conhecimento.







