Marcas tradicionais do varejo e da alimentação brasileira enfrentam um cenário de crise financeira que as levou a buscar recuperação judicial em 2026, e juros elevados aparecem como fator comum a todas.
Em junho deste ano, mais de 9,1 milhões de empresas brasileiras estavam inadimplentes, segundo dados do Serasa Experian.
O número representa aumento de 16,67% em relação ao mesmo período de 2025 e marca o recorde desde 2016, quando a série histórica começou.
Grandes empresas revelam motivo por trás das dificuldades financeiras e pedidos de recuperação judicial
A taxa de juros Selic atingiu 15% em 2025 e permanece elevada, em 14% atualmente.
Essa restrição financeira pressiona o acesso ao crédito, dificultando a renovação de linhas de financiamento e o capital de giro necessário para a operação das empresas.
Esse cenário de juros restritivos se combina com desaceleração econômica, deixando muitas companhias impossibilitadas de reorganizar seus passivos e recompor o fluxo de caixa.
A crescente inadimplência pode estar relacionada às condições financeiras restritivas.
Esse fator continua limitando a melhora consistente do mercado de crédito, justamente quando muitas empresas enfrentam dificuldades para reorganizar seus passivos e recompor o fluxo de caixa.
O Grupo Gennius, proprietário do Habib’s e também das redes Ragazzo e Tendall, anunciou seu pedido de recuperação judicial em 26 de agosto.
A empresa alega descompasso entre o ritmo acelerado de investimentos e a receita que caiu durante a pandemia de Covid-19, entre 2020 e 2022.
A rede abriu múltiplas unidades em shoppings centers e centros urbanos das principais cidades brasileiras para atender à demanda esperada, mas o consumo não acompanhou conforme previsto.
Mesmo após a flexibilização das medidas sanitárias, o modelo híbrido e remoto de trabalho reduziram a circulação de pessoas nos centros urbanos, cortando o fluxo de clientes das Lojas físicas.
A disseminação de plataformas de marketplaces e restaurantes de delivery alterou os hábitos de consumo, com pessoas passando a pedir comida em casa em lugar de frequentar o restaurante.
O Habib’s registrou dívidas de R$ 265,2 milhões no pedido de recuperação.
A KPMG Corporate Finance foi nomeada como administradora judicial do Grupo, que tem 60 dias para apresentar o plano de reestruturação, sob risco de entrar em falência.
Casas Bahia: crise de crédito e falta de capital de giro
A varejista protocolou seu pedido de recuperação judicial em 16 de agosto, citando piora das condições financeiras.
O ambiente macroeconômico desafiador, com alta taxa de juros, restrição de crédito, aumento do custo financeiro e pressão sobre consumo e capital de giro foram fatores relevantes para a decisão.
A Companhia havia tentado recuperação extrajudicial em abril de 2024 para dívidas de R$ 4,1 bilhões, mas a medida não foi suficiente para reverter as dificuldades.
A empresa registrou prejuízo de R$ 10 bilhões no segundo trimestre, 18 vezes maior que no mesmo período do ano anterior.
Dívidas acumuladas chegam a R$ 17,3 bilhões, tornando necessária a reestruturação de capital.
Múltiplas causas, convergência em 2026
As recuperações judiciais de 2026 refletem tanto fatores macroeconômicos quanto problemas específicos de cada empresa. E
m agosto de 2026 foram contabilizados cinco casos emblemáticos, sendo três de recuperação judicial e dois de recuperação extrajudicial.
Grandes empresas no imaginário do consumidor agora enfrentam a necessidade de reestruturação de passivos em um momento em que a recuperação é lenta.
O ciclo de alavancagem elevada combinado com juros que atingiram 15% em 2025 deixou empresas que carregam dívidas de períodos anteriores em situação de pressão financeira persistente, consolidando 2026 como ano de reestruturação de passivos no setor corporativo brasileiro.








