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Grandes empresas revelam motivo por trás das dificuldades financeiras e pedidos de recuperação judicial

Por Jeferson da Rosa
28/08/2026
Em Geral
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Grandes revelam motivo trás dificuldades

Grandes empresas revelam motivo por trás das dificuldades financeiras e pedidos de recuperação judicial - Imagem: Divulgação/Casas Bahia

Marcas tradicionais do varejo e da alimentação brasileira enfrentam um cenário de crise financeira que as levou a buscar recuperação judicial em 2026, e juros elevados aparecem como fator comum a todas.

Em junho deste ano, mais de 9,1 milhões de empresas brasileiras estavam inadimplentes, segundo dados do Serasa Experian. 

O número representa aumento de 16,67% em relação ao mesmo período de 2025 e marca o recorde desde 2016, quando a série histórica começou.

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Grandes empresas revelam motivo por trás das dificuldades financeiras e pedidos de recuperação judicial

A taxa de juros Selic atingiu 15% em 2025 e permanece elevada, em 14% atualmente. 

Essa restrição financeira pressiona o acesso ao crédito, dificultando a renovação de linhas de financiamento e o capital de giro necessário para a operação das empresas.

Esse cenário de juros restritivos se combina com desaceleração econômica, deixando muitas companhias impossibilitadas de reorganizar seus passivos e recompor o fluxo de caixa.

A crescente inadimplência pode estar relacionada às condições financeiras restritivas. 

Esse fator continua limitando a melhora consistente do mercado de crédito, justamente quando muitas empresas enfrentam dificuldades para reorganizar seus passivos e recompor o fluxo de caixa.

O Grupo Gennius, proprietário do Habib’s e também das redes Ragazzo e Tendall, anunciou seu pedido de recuperação judicial em 26 de agosto. 

A empresa alega descompasso entre o ritmo acelerado de investimentos e a receita que caiu durante a pandemia de Covid-19, entre 2020 e 2022.

A rede abriu múltiplas unidades em shoppings centers e centros urbanos das principais cidades brasileiras para atender à demanda esperada, mas o consumo não acompanhou conforme previsto. 

Mesmo após a flexibilização das medidas sanitárias, o modelo híbrido e remoto de trabalho reduziram a circulação de pessoas nos centros urbanos, cortando o fluxo de clientes das Lojas físicas.

A disseminação de plataformas de marketplaces e restaurantes de delivery alterou os hábitos de consumo, com pessoas passando a pedir comida em casa em lugar de frequentar o restaurante. 

O Habib’s registrou dívidas de R$ 265,2 milhões no pedido de recuperação.

A KPMG Corporate Finance foi nomeada como administradora judicial do Grupo, que tem 60 dias para apresentar o plano de reestruturação, sob risco de entrar em falência.

Casas Bahia: crise de crédito e falta de capital de giro

A varejista protocolou seu pedido de recuperação judicial em 16 de agosto, citando piora das condições financeiras. 

O ambiente macroeconômico desafiador, com alta taxa de juros, restrição de crédito, aumento do custo financeiro e pressão sobre consumo e capital de giro foram fatores relevantes para a decisão.

A Companhia havia tentado recuperação extrajudicial em abril de 2024 para dívidas de R$ 4,1 bilhões, mas a medida não foi suficiente para reverter as dificuldades. 

A empresa registrou prejuízo de R$ 10 bilhões no segundo trimestre, 18 vezes maior que no mesmo período do ano anterior. 

Dívidas acumuladas chegam a R$ 17,3 bilhões, tornando necessária a reestruturação de capital.

Múltiplas causas, convergência em 2026

As recuperações judiciais de 2026 refletem tanto fatores macroeconômicos quanto problemas específicos de cada empresa. E

m agosto de 2026 foram contabilizados cinco casos emblemáticos, sendo três de recuperação judicial e dois de recuperação extrajudicial. 

Grandes empresas no imaginário do consumidor agora enfrentam a necessidade de reestruturação de passivos em um momento em que a recuperação é lenta.

O ciclo de alavancagem elevada combinado com juros que atingiram 15% em 2025 deixou empresas que carregam dívidas de períodos anteriores em situação de pressão financeira persistente, consolidando 2026 como ano de reestruturação de passivos no setor corporativo brasileiro.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Jeferson da Rosa

Jeferson da Rosa

Jornalista apaixonado pela profissão

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