O Governo Federal confirmou, na última semana, a negativa de vistos a dois altos funcionários do Departamento de Estado dos EUA, Riley M. Barnes e Samuel Samson. A decisão do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) encerra uma missão planejada para esta semana, que Brasília classificou como uma operação para minar a confiança nas urnas eletrônicas.
A decisão
Os vistos foram negados formalmente em 24 de julho, quatro dias após o pedido ser protocolado em 20 de julho. Os barrados ocupam cargos estratégicos no Bureau de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho.
Riley M. Barnes é secretário-assistente do departamento, nomeado em 2025 e também designado como Coordenador Especial para Questões Tibetanas e Embaixador para a Liberdade Religiosa Internacional.
Já Samuel Samson é subsecretário-assistente, assumiu o cargo em maio de 2026. Conhecido por seu ativismo conservador e religioso, Samson tem histórico de promoção de políticas da administração Donald Trump na Europa e na África.
Segundo reportagens do The Washington Post e apurações locais, a missão, prevista para 27 a 30 de julho, tinha como objetivo secreto reunir-se com críticos do sistema eleitoral e autoridades para produzir um relatório que questionasse a integridade do pleito de 4 de outubro.
O Itamaraty classificou o pedido como “inusitado” devido ao timing e afirmou que a decisão baseou-se em “evidências apontando para uma tentativa renovada de explorar politicamente a situação”.
Tensão entre os governos
O impasse diplomático ocorre em meio a uma escalada de tensões comerciais entre as duas nações. A negativa dos vistos coincide com a entrada em vigor, nesta semana, de novas tarifas de 25% impostas pelo governo Trump a milhares de produtos brasileiros, incluindo açúcar, aço e papel.
Os EUA justificaram as taxas citando “práticas de concorrência desleal” e barreiras ao comércio digital, acusações rejeitadas pela administração Lula.
Analistas apontam que a soma das tarifas, a retórica eleitoral e agora o bloqueio diplomático sinalizam uma deterioração nas relações bilaterais. Há ainda a possibilidade de uma segunda camada de tarifas, elevando a alíquota total para 37,5%, caso uma investigação separada sobre trabalho forçado conclua com parecer negativo contra o Brasil nas próximas semanas.







