A Nissan avança com um dos planos de reestruturação mais drásticos de sua história recente, batizado Re:Nissan, que prevê a demissão de cerca de 20 mil funcionários e o fechamento de sete das 17 fábricas mantidas pela montadora japonesa ao redor do mundo.
O processo, anunciado em maio de 2025, ainda está em curso, com conclusão prevista para o fim do ano fiscal de 2027, em março de 2028.
Prejuízo bilionário e concorrência chinesa pressionam a marca
No ano fiscal encerrado em março de 2026, a Nissan voltou a registrar prejuízo líquido, desta vez de 533,1 bilhões de ienes atribuídos aos acionistas. As vendas globais de veículos também recuaram 5,8%, para aproximadamente 3,15 milhões de unidades.
Entre os principais fatores da crise estão a forte concorrência das montadoras chinesas, especialmente no segmento de elétricos, dificuldades no mercado dos Estados Unidos, tarifas comerciais e aumento de custos de produção.
O atual momento da empresa também é resultado do fracasso nas negociações de fusão com a Honda, conduzidas até o início de 2025. A junção das duas fabricantes japonesas criaria um dos maiores grupos automotivos do mundo, mas as conversas foram encerradas sem acordo, em meio a divergências sobre o controle da futura companhia.
Pouco depois, o então CEO Makoto Uchida deixou o cargo, e Ivan Espinosa, nascido no México e executivo de longa data da Nissan, assumiu o comando em abril de 2025, elaborando o plano Re:Nissan em poucas semanas.
Cortes acontecem em etapas, com foco fora do Brasil
Os 20 mil cortes de vagas somam duas rodadas: uma primeira redução de 9 mil postos, anunciada em novembro de 2024, e outra de 11 mil, anunciada em maio de 2025, já dentro do plano atual. O objetivo central é economizar 500 bilhões de ienes, cerca de R$ 19 bilhões, e alcançar lucro operacional e fluxo de caixa positivo.
O Brasil não aparece entre os mercados diretamente citados no plano de reestruturação, a fábrica da Nissan em Resende, no Rio de Janeiro, segue em operação, após um investimento recente de R$ 2,8 bilhões destinado à produção da nova geração do Kicks.
A montadora também prevê lançar um novo SUV compacto no mercado brasileiro. Já na Argentina, a Nissan encerrou a operação comercial direta em abril deste ano, repassando a gestão a grupos locais.








