A Ferrari desmentiu oficialmente os rumores de que a compra do Luce, seu primeiro carro totalmente elétrico, seria condição para que clientes tivessem acesso a modelos limitados e hipercarros exclusivos.
Essa declaração foi feita por Enrico Galliera, diretor de marketing e comercial da montadora, durante uma apresentação em 19 de junho de 2026, e divulgada pela Reuters três dias depois.
Galliera classificou a informação como totalmente falsa e contestou diretamente uma reportagem da Bloomberg que levantou essa possibilidade. Segundo ele, forçar um cliente a gastar US$ 630 mil no Luce apenas para garantir acesso futuro a outros modelos seria “um grande erro comercial”.

A Ferrari afirmou que as listas de espera para seus modelos mais exclusivos continuam sendo geridas pelos critérios tradicionais de fidelidade, baseados no histórico de compras e no relacionamento com a marca ao longo do tempo.
O raciocínio da empresa é direto: um comprador que adquirisse o Luce sem genuíno interesse no carro tenderia a revendê-lo logo após receber o modelo desejado.
Essa saída rápida pressionaria o preço do Luce no mercado usado, prejudicando a imagem e o valor residual do veículo, especialmente relevante num segmento elétrico de luxo onde a desvalorização já é uma preocupação.
“Correríamos o risco de criar embaixadores negativos”, disse um porta-voz da Ferrari à imprensa internacional.
O que é o Luce
O Ferrari Luce foi apresentado em 25 de maio de 2026 como o primeiro veículo 100% elétrico da marca italiana. Desenvolvido ao longo de cinco anos, o modelo tem cinco lugares, vai de 0 a 96 km/h em 2,5 segundos e traz quatro motores elétricos, um em cada roda, todos fabricados internamente pela Ferrari.
Seu design foi criado em parceria com a LoveFrom, agência fundada por Jony Ive, ex-chefe de design da Apple.
O carro está cotado em US$ 640 mil, cerca de R$ 3,2 milhões na cotação atual, e deve ser entregue ainda em 2026. A reação nas redes sociais ao lançamento foi polarizada: enquanto parte dos fãs criticou o distanciamento do visual agressivo típico da marca, outros elogiaram a proposta.
Benedetto Vigna, o CEO, afirmou que o interesse de clientes antigos e novos foi intenso desde a apresentação.
A Ferrari vende menos de 14 mil veículos por ano, volume que garante à montadora isenção das regras europeias de eletrificação obrigatória.




