O acordo bilionário para vender o Los Angeles Lakers a Josh Kushner e Bob Iger, por US$ 12,5 bilhões (R$ 65 bilhões), tropeçou numa briga dentro da própria família Buss.
A atual chefe do time, Jeanie Buss, recorreu à Justiça para contestar os votos dos irmãos favoráveis à venda de 17,8% das ações que ainda restavam com o grupo familiar.
Ex-proprietária dos Lakers contesta venda de ações e negociação virá “Casos de Família”
Em carta enviada na última segunda-feira (17) aos advogados dos irmãos, Jeanie acusa o grupo de romper deveres fiduciários e quebrar a confiança entre os sócios.
Segundo o documento, qualquer negociação dessa fatia da Los Angeles Lakers Inc. requer, segundo Jeanie, o aval dos co-fiduciários, categoria que inclui a própria Jeanie, além de Janie e Joey Buss.
A atual governadora dos Lakers contesta a validade legal da operação sem esse consentimento.
A base do argumento está numa ordem judicial de 2017, obtida na Corte Superior de Los Angeles, que proíbe justamente esse tipo de movimento sem o consentimento coletivo dos co-fiduciários.
Os irmãos Jim, Johnny, Janie, Joey e Jesse assinaram uma nota em que confirmaram, junto com Jeanie, o desejo de vender a parte que resta do truste da família, embora Jeanie não tenha votado a favor da medida.
Eles votaram a favor da negociação com o grupo liderado por Iger, movimento que a governadora contesta agora nos tribunais.
No comunicado, o grupo afirmou considerar chegado o momento de buscar novos rumos, mesmo mantendo o carinho pelo time e pela torcida.
A divisão evidencia desentendimentos sobre a estratégia de negociação que vão além das questões técnicas do contrato.
Histórico de comando dos Lakers e novos entraves
Os Buss controlam a franquia desde 1979, ano em que Jerry Buss comprou o time.
A filha assumiu o posto de governadora do time após a morte do pai e ocupa o cargo desde 2013. Por acordo prévio, sua permanência no posto está garantida até 2030.
Essa garantia resultou de um pacto firmado quando Mark Walter adquiriu a maior fatia da equipe, avaliada em US$ 10 bilhões (R$ 52,1 bilhões) no fim de outubro do ano passado.
Mesmo com Walter no controle majoritário, a manutenção da dirigente no cargo havia sido condição estabelecida naquele negócio.
Bob Iger já sinalizou que o desenho do acordo com a dirigente pode sofrer ajustes diante da resistência apresentada.
Do lado de Kushner, a transação também enfrenta um entrave: ele precisa se desfazer das ações que detém no Miami Heat antes de qualquer aprovação formal da compra dos Lakers.
Os irmãos que aprovaram a venda argumentam ter direito à mesma avaliação concedida a Mark Walter, amparados por uma cláusula do contrato original.
A transação ainda passa pelo crivo da Associação dos Donos da NBA, que se reúne nos dias 15 e 16 de setembro para tratar do assunto.
Os possíveis novos donos da franquia não comentaram publicamente a disputa familiar.
Enquanto a Justiça não decide o mérito das acusações de Jeanie, o negócio recorde da liga permanece sem data definida para ser fechado.








