Um estudo do Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em parceria com pesquisadores da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), mostrou que 84% dos pacientes diagnosticados tardiamente com HIV no Hospital Nossa Senhora da Conceição, em Porto Alegre, entre 2015 e 2024, eram heterossexuais.
A pesquisa, publicada na revista científica AIDS Research and Treatment, analisou 1.615 pacientes internados em estado grave relacionado ao vírus, dos quais 407, ou 25% do total, só descobriram a infecção durante a própria hospitalização.
Entre esses 407 diagnósticos tardios, 49% eram homens heterossexuais e 35% mulheres heterossexuais, a maioria casados, em união estável ou com filhos. Apenas 10% pertenciam a populações consideradas de maior risco pelas diretrizes do Ministério da Saúde, como homens que fazem sexo com homens, pessoas trans, usuários de drogas injetáveis e profissionais do sexo; os outros 6% não informaram a orientação sexual nas fichas de triagem.
Além disso, 76% desses pacientes não apresentavam nenhum dos fatores de risco tradicionalmente usados para orientar a testagem precoce.
População invisível
As internações mais comuns entre os diagnosticados tardiamente foram causadas por infecções oportunistas como tuberculose, pneumonia por fungo, toxoplasmose cerebral e pneumonia bacteriana, quadros que só aparecem quando o sistema imunológico já está bastante comprometido.
Porto Alegre é hoje a capital brasileira com a maior taxa de mortalidade por aids, de 20,2 óbitos a cada 100 mil habitantes, cerca de três vezes a média nacional, segundo boletim epidemiológico da prefeitura divulgado em março.
Para tentar reverter esse cenário, a pesquisadores recomendam incluir a testagem de forma automática em consultas de rotina e ampliar o acesso a autotestes e exames em farmácias.







