Vídeos e lives que ensinam “o passo a passo” para apostar, com influenciadores que relatam supostos ganhos fáceis, se espalharam pelas redes sociais brasileiras nos últimos meses e tomaram conta do dia a dia do brasileiro.
Uma checagem do Comprova, projeto de jornalismo colaborativo que reúne veículos, foi ouvir especialistas para entender por que esse tipo de conteúdo prospera, e por que ele não garante retorno financeiro a quem segue as dicas divulgadas.
Estratégia ou hipnose
Segundo o levantamento, que usou como base dados do Banco Central, as casas de apostas lucram com o alto volume de apostas realizadas, não com o sucesso individual dos jogadores, e por isso investem em estratégias para manter o usuário o maior tempo possível dentro do aplicativo.
Caça-níqueis digitais e plataformas de apostas esportivas recorrem a algoritmos e técnicas de persuasão desenhadas especificamente para isso, segundo os especialistas ouvidos pela reportagem original.
Pelo Comprova foram consultados o advogado Humberto Ribeiro, diretor jurídico do Sleeping Giants Brasil; o doutorando em matemática pela UFMG Augusto Vargas; o professor de finanças da Unifesp Ahmed El Khatib; e a psicóloga Aline Batista. Juntos, eles descrevem um cenário no qual o design das plataformas, o ritmo acelerado das rodadas e os estímulos visuais e sonoros trabalham a favor da permanência do usuário no aplicativo, mesmo quando as perdas financeiras se acumulam ao longo do tempo.
Onde buscar ajuda
A reportagem também trouxe orientações de órgãos que oferecem apoio a quem desenvolve vício em jogos: o Procon-SP, o SUS e a rede Jogadores Anônimos, todos com atendimento gratuito à população.
O alerta reforça um cenário já mapeado por outros estudos: levantamento do Comsefaz (Comitê Nacional de Secretários de Fazenda) mostrou que famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões em apostas esportivas somente em 2025, equivalente a cerca de 0,68% da renda disponível bruta de todas as famílias do país naquele ano.







