Uma angústia bem familiar toma conta de lares em todo o país nas horas que antecedem a segunda-feira. Conhecido popularmente como “Síndrome de domingo à noite“, o fenômeno psicológico é tema de discussões nas redes sociais e, para alguns especialistas, pode ser um indicador de insatisfação profissional ou esgotamento mental.
De acordo com especialistas, as pessoas devem prestar atenção na própria saúde mental e tomar cuidados para que o que começa como uma tristeza passageira não acabe evoluindo para quadros graves de burnout e depressão.
Dados recentes indicam que a condição afeta desproporcionalmente as gerações mais jovens. Enquanto apenas 11,49% da geração Baby Boomers (nascidos entre 1945 e 1964) relatam sentir o fenômeno, o número salta para 57,39% da Geração Z.
O que é essa síndrome?
Segundo a psicóloga Marília Vav, mestre pela Universidade de Brasília, esse fenômeno se manifesta como uma espécie de ansiedade; o cérebro deixa de processar o domingo como dia de descanso e passa a antecipar “ameaças” da semana antes mesmo que elas ocorram.
“Muitas pessoas não se identificam com o que fazem, enfrentam ambientes difíceis ou não se sentem valorizadas. Nesse cenário, a volta da rotina deixa de ser um compromisso e passa a ser sentida como um peso emocional”, explica.
Os sintomas variam de inquietação a crises físicas, incluindo taquicardia, “nó” no estômago e insônia severa. Diferente do cansaço comum, a síndrome marca uma transição em que o indivíduo sente que o fim de semana foi “roubado”.
Em casos mais graves, o sofrimento pode ser ainda mais antecipado, podendo avançar do domingo para a tarde de sábado e “contaminando” todo o período de descanso da pessoa.
O que causa isso?
A onipresença da tecnologia é apontada como um dos principais combustíveis para o agravamento do quadro em 2026. A dissolução das fronteiras entre vida pessoal e profissional mantém o trabalhador em alerta constante. Notificações e mensagens no fim de semana impedem o desligamento mental, mantendo os níveis de cortisol elevados.
Além disso, psicólogos alertam que a cultura da produtividade tóxica e o perfeccionismo individual criam um ciclo vicioso. O medo de errar e a necessidade de aprovação fazem com que o trabalhador leve pendências mentais para o descanso.
A ansiedade também pode começar antes mesmo do domingo. Pendências acumuladas na sexta-feira e a sensação de que sempre ficou alguma coisa para trás fazem com que o trabalhador leve mentalmente o expediente para o fim de semana”, detalham especialistas.
O que fazer sobre isso?
Diante do cenário, especialistas destacam a atualização de normas reguladoras, como a NR-1, que obriga a gestão de riscos psicossociais, coloca a síndrome de domingo como um indicador de falhas estruturais no ambiente corporativo.
Segundo psicólogos, a recomendação para se recuperar ou minimizar a síndrome de domingo à noite é estabelecer limites rígidos, como evitar telas e e-mails de trabalho após cumprir o horário de trabalho na sexta-feira e atividades prazerosas no domingo à noite que não envolvam planejamento da semana.
Além disso, especialistas também sugerem a busca por terapia caso os sintomas interfiram no sono ou no convívio familiar.








