Enquanto a comunidade internacional celebra uma redução histórica de 43% nas novas infecções por HIV desde 2010, o Brasil caminha em direção oposta. Dados divulgados nesta semana pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS), durante a 26ª Conferência Internacional de AIDS, revelam que o país registrou um aumento de 21,9% nos casos no mesmo período.
Segundo o último boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, foram notificados 39.200 novos casos de HIV em 2024. A tendência de alta preocupa especialistas, especialmente quando comparada à média global, que atingiu em 2025 o menor número de infecções desde o início da epidemia: 1,2 milhão, contra 2,1 milhões em 2010.
Para cumprir a meta de eliminação da AIDS como ameaça à saúde pública até 2030, o mundo deveria ter registrado apenas 200 mil novas infecções no ano passado, um milhão a menos do que o registrado.
Cenário de alerta
O relatório “Unidas e Unidos para acabar com a AIDS“, apresentado no Rio de Janeiro, aponta que a resposta global à epidemia está perdendo força. A assistência oficial ao desenvolvimento para o combate ao HIV caiu 23% em 2025, a maior redução em quase 20 anos.
No Brasil, apesar do aumento dos casos, houve uma expansão de 41% no acesso a medicamentos de prevenção no último ano, uma tentativa do Sistema Único de Saúde (SUS) de conter a disseminação do vírus.
Winnie Byanyima, diretora executiva da UNAIDS, alertou durante a conferência que “inovação sem acesso não é inovação, é injustiça”. Ela destacou que, embora a ciência ofereça ferramentas, os cortes orçamentários e a persistência de desigualdades sociais ameaçam reverter décadas de progresso.
Situação no Brasil
Apesar do aumento nas infecções, o Brasil alcançou um marco sanitário histórico em dezembro de 2025: tornou-se o primeiro país com população superior a 100 milhões de habitantes a receber a certificação de eliminação da transmissão vertical do HIV. A taxa de transmissão de mãe para filho foi reduzida para menos de 2%, fruto de uma cobertura de pré-natal superior a 95%.
No entanto, a epidemia continua a afetar desproporcionalmente populações vulneráveis. Homens jovens entre 20 e 29 anos e a população negra representam a maioria dos novos diagnósticos.
O país estima que 1,7 milhão de pessoas vivam com HIV hoje, e o desafio agora é garantir que o tratamento e a prevenção cheguem a todos, especialmente em um cenário de recursos globais encolhidos.







