O Brasil registrou um recorde histórico de importações pessoais em junho de 2026. Segundo dados divulgados neste domingo (26) pela Receita Federal, o volume de encomendas internacionais recebidas no país saltou para 28,36 milhões de remessas, um crescimento de 118% em comparação ao mesmo mês do ano passado.
Os números representam o primeiro efeito concreto da revogação do imposto de importação sobre compras de até US$ 50, popularmente conhecida como “taxa das blusinhas”.
A alta ocorre no primeiro mês completo de vigência da Medida Provisória (MP) nº 1.357/2026, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 12 de maio. A medida, que entrou em vigor no dia seguinte, zerou a alíquota de 20% do Imposto de Importação que incidia sobre pequenas compras internacionais no âmbito do programa Remessa Conforme.
De acordo com especialistas, a comparação com abril de 2026, último mês com a cobrança da taxa, mostra uma aceleração imediata de 72% no volume de envios, indicando uma demanda reprimida que foi liberada com a nova regra.
Repercussão
A decisão do Palácio do Planalto gerou reações opostas imediatas entre os diferentes setores da economia. Para o consumidor final, a medida significou o retorno dos preços praticados antes de agosto de 2024, beneficiando principalmente as pessoas que usam plataformas como Shein, Shopee e AliExpress.
Em resposta ao aumento das vendas, a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que representa as empresas de varejo internacional online, classificou o aumento como um movimento “natural” e defendeu que a isenção reduz desigualdades no acesso ao consumo.
Em contrapartida, o varejo nacional e a indústria têxtil manifestaram profunda preocupação. O Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), que representa grandes redes como Lojas Renner e C&A, atribuiu parte da queda nas vendas de junho ao avanço das importações isentas de impostos federais.
A entidade alertou que a medida cria uma concorrência desleal, já que produtos nacionais continuam sujeitos a uma carga tributária elevada, e defendeu o restabelecimento da taxa para preservar empregos e investimentos no país.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) reforçou o argumento, afirmando que a MP concede vantagem indevida a fabricantes estrangeiros.







