Um estudo publicado na revista científica Scientific Reports identificou a maior concentração de ouro já registrada em cristais de pirite, mineral às vezes chamado de “ouro dos tolos”, coletados no fundo do mar próximo ao Japão.
A descoberta reacende o debate internacional sobre a viabilidade e os riscos ambientais da mineração em águas profundas.
As análises apontaram concentrações locais de até 1,9% em massa de ouro dentro da pirite, o maior valor já medido nesse tipo de mineral. As amostras foram coletadas nos campos hidrotermais de Higashi-Aogashima, localizados cerca de 350 quilômetros ao sul de Tóquio, dentro da zona econômica exclusiva do Japão.

Como o ouro se forma no fundo do mar
Os pesquisadores analisaram amostras retiradas de uma chaminé hidrotermal e de montículos de sulfetos formados pela ação de fluidos quentes, ricos em metais, liberados do fundo oceânico.
Essas formações já eram conhecidas por concentrações elevadas de ouro, mas a nova análise mostrou teores ainda maiores do que os estimados anteriormente.
Apesar dos números recordes, o próprio estudo reconhece que a alta concentração de ouro na pirite não comprova a existência de uma jazida comercialmente explorável.
Ainda são necessários novos levantamentos para avaliar se a extração em larga escala seria tecnicamente viável e financeiramente vantajosa.
O Japão nada contra a maré internacional
Diversos países do Pacífico já defenderam uma moratória à mineração em águas profundas até pelo menos 2030, citando riscos ao ecossistema marinho.
O Japão, no entanto, não aderiu a essa posição e continua investindo em pesquisas, mapeamentos do fundo oceânico e no desenvolvimento de tecnologias voltadas à eventual extração de recursos minerais submarinos.
Extração é tão mais complexa no fundo do mar
Além da questão ambiental, a extração de minerais em grandes profundidades enfrenta desafios técnicos que não existem na mineração terrestre tradicional, como a pressão da água, a distância até a superfície e a dificuldade de operar equipamentos em ambientes de escuridão total.
Some-se a isso o custo elevado de qualquer operação nesse tipo de terreno, o que ainda torna incerta a viabilidade econômica de projetos de mineração submarina em escala comercial.








