Um trabalhador que recebe salário mínimo em Porto Alegre precisou dedicar o equivalente a cerca de 130 horas de trabalho, quase três semanas de jornada integral, só para comprar os itens básicos de alimentação em junho. A cesta básica na capital gaúcha fechou o mês em R$ 889,58, segundo a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos.
O levantamento é feito mensalmente pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O valor representa alta de 2,18% em relação a maio, quando a cesta custava R$ 870,62 na capital gaúcha.
Um dos maiores aumentos mensais do país
Porto Alegre teve a quarta maior alta entre as 27 capitais pesquisadas em junho, atrás apenas de Boa Vista (3,28%), Palmas (3,01%) e Rio Branco (2,20%).
Ao todo, 17 capitais registraram aumento no mês, enquanto dez tiveram queda no preço da cesta, com destaque para as reduções em João Pessoa (-3,97%), Recife (-3,62%) e Maceió (-3,61%).
Salário destinado à alimentação
O feijão foi o principal responsável pela alta em junho, com aumento registrado em todas as capitais pesquisadas.
Segundo o Dieese, a redução da área plantada e problemas climáticos nas duas primeiras safras do grão contribuíram para a valorização do produto. Leite integral e carne bovina de primeira também pressionaram os preços na maior parte das cidades.
Em Porto Alegre, o preço do arroz, item de forte presença na produção gaúcha, permaneceu estável entre maio e junho.
Considerando o salário mínimo líquido, depois do desconto de 7,5% da Previdência Social (hoje em R$ 1.621), o trabalhador porto-alegrense precisou comprometer o equivalente a 59,3% da renda apenas para comprar os itens básicos de alimentação em junho, patamar que já vinha subindo mês a mês: em abril, o comprometimento era de 54,14%, e em março, de 53,34%.
Porto Alegre está entre as que mais sobem
Apesar do forte aumento mensal, a capital gaúcha não figura entre as cidades com a cesta básica mais cara do Brasil. Os maiores valores em junho foram registrados em São Paulo (R$ 965,47), Cuiabá (R$ 937,93), Rio de Janeiro (R$ 920,94) e Florianópolis (R$ 918,42).
Com base no custo da cesta mais cara do país e nas exigências constitucionais para o salário mínimo, que deve cobrir alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, o Dieese estima que o piso nacional deveria ser de R$ 8.110,92, cerca de cinco vezes o valor hoje em vigor.







