Profissionais de saúde na linha de frente contra o pior surto de ebola já registrado na República Democrática do Congo, ameaçam parar de trabalhar por falta de pagamento, o que pode comprometer ainda mais a resposta a uma epidemia que já infectou 3.874 pessoas e matou 1.751 desde maio, segundo dados do Ministério da Saúde congolês divulgados na quarta-feira (5).
Dezenas de profissionais protestaram contra os atrasos nos salários prometidos pelo governo, entre eles a enfermeira Micheline Kayimpa, mãe de quatro filhos, que atua havia meses no Centro de Tratamento de Ebola Elikya, em Bunia, sem receber nenhum pagamento.
“Enquanto eu não receber meu salário, vou boicotar o trabalho até que seja paga” e afirmou que pode deixar o emprego caso a situação não mude.
Surto já é o maior da história do país
Classificado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como o maior surto de ebola já registrado no país, o atual episódio já superou, em pouco mais de dois meses, a duração da última grande epidemia na RD Congo, que se estendeu de 2018 a 2020.
Bunia, capital da província de Ituri, concentra mais de 90% dos casos confirmados. A variante causadora do surto, chamada Bundibugyo, é menos comum e ainda não tem vacina com eficácia comprovada.
Ataques a centros de tratamento agravam a crise
A resposta à epidemia também enfrenta hostilidade de parte da população local, alimentada por desconfiança, desinformação e resistência a restrições impostas aos rituais tradicionais de sepultamento.
A ONU registrou pelo menos uma dezena de ataques a unidades de saúde nos últimos meses, entre eles invasões de centros de tratamento por manifestantes em busca de corpos de parentes, episódios que já obrigaram equipes a evacuar pacientes sob tiroteio.
Organizações humanitárias apontam ainda que os conflitos armados no leste do país dificultam o acesso das equipes de saúde às comunidades mais afetadas pelo surto.








