Bancários de todo o país cruzaram os braços por 24 horas nesta quinta-feira (20), em uma paralisação nacional que, segundo os sindicatos que organizaram o movimento, marca um momento histórico da categoria. Mais de 50 mil bancários participaram das assembleias que aprovaram a mobilização, de acordo com o Comando Nacional dos Bancários.

Impasse gira em torno do índice de reajuste salarial
O estopim da paralisação foi a oitava rodada de negociação da Campanha Nacional Unificada dos Bancários 2026, realizada na terça-feira (18) entre o Comando Nacional e a Fenaban, federação que representa os bancos.
Os banqueiros recuaram de duas propostas rejeitadas pela categoria, o congelamento do piso salarial de ingresso e a divisão dos trabalhadores em três faixas de reajuste diferenciado, mas ainda não apresentaram nenhum índice de correção para salários e benefícios.
Em assembleias realizadas por sindicatos de todo o país na segunda-feira (17), 97% dos bancários consultados rejeitaram a proposta anterior da Fenaban, e 90% aprovaram a paralisação.
As reivindicações da categoria incluem reajuste real acima da inflação, recomposição dos valores de vale-alimentação e vale-refeição, valorização da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e a criação de um piso salarial específico para trabalhadores de TI dentro dos bancos. Sindicatos também destacam que os três maiores bancos privados do país, Bradesco, Itaú e Santander, somaram R$ 45 bilhões em lucro apenas no primeiro semestre de 2026.
Em nota, a Fenaban afirmou esperar chegar a um acordo positivo para ambas as partes, e reforçou que a entidade representa os bancos há 34 anos nas negociações trabalhistas da categoria, tendo recebido a pauta de reivindicações da campanha salarial em 24 de junho.
Orientação incluiu quem trabalha remotamente
A paralisação começou às 10h e afetou tanto quem trabalha presencialmente em agências quanto empregados em regime remoto, orientados pelos sindicatos a não acessar sistemas internos, não realizar vendas e não responder a demandas de trabalho durante o período.
A adesão à mobilização variou entre bases sindicais, com relatos de participação expressiva em cidades como São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre.
A próxima rodada de negociação entre o Comando Nacional dos Bancários e os representantes dos bancos está marcada para a próxima segunda-feira (24), quando a categoria espera receber, finalmente, uma proposta de índice de reajuste.








