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Utilizar IA em excesso pode causar danos ao funcionamento cerebral, aponta estudo

Por Jeferson da Rosa
19/08/2026
Em Geral
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Utilizar excesso causar danos funcionamento

Utilizar IA em excesso pode causar danos ao funcionamento cerebral, aponta estudo - Imagem: Pixabay

O uso intenso de ferramentas de inteligência artificial reduz a atividade cerebral durante sessões de escrita e pode diminuir o desempenho na redação. 

Pesquisa do Instituto de Tecnologia de Massachusetts mediu a redução da atividade neural e a queda na qualidade dos textos durante o uso de IA em três sessões ao longo de quatro meses.

Utilizar IA em excesso pode causar danos ao funcionamento cerebral, aponta estudo

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O estudo acompanhou 54 jovens em três cenários distintos: um grupo utilizou o ChatGPT para escrever; outro consultou o Google e redigiu com base nas buscas; e o terceiro trabalhou apenas com o próprio conhecimento, sem recursos externos.

Os resultados mostraram que os participantes que recorreram à IA apresentaram menor envolvimento cerebral. 

Entre os que usaram a ferramenta, 83% não conseguiram recitar uma frase do próprio texto pouco depois de finalizá-lo.

Os pesquisadores apontam que, quando alguém transfere repetidamente tarefas mentais para máquinas, pode criar uma espécie de débito com as próprias capacidades cognitivas. 

Esse padrão afeta funções como memória, concentração, raciocínio e linguagem, exatamente os pilares da atividade intelectual que o cérebro precisa exercitar para manter-se afiado.

A descoberta não significa, porém, que o ChatGPT danifique permanentemente o cérebro humano.

Os autores da pesquisa admitem que os resultados refletem efeitos imediatos durante o uso das ferramentas, não transformações duradouras no órgão. 

Para confirmar se o comportamento provoca consequências a longo prazo, seriam necessários estudos mais prolongados.

Enquanto isso, a maioria dos artigos científicos sobre o impacto da IA no cérebro continua teórica, sem muitas evidências empíricas que sustentem conclusões definitivas.

Por que recorremos a ferramentas externas

A escolha de usar ou não um assistente de IA não é aleatória. 

Os pesquisadores Evan Risko e Sam Gilbert desenvolveram um modelo que explica quando as pessoas optam por terceirizar o esforço mental.

Às vezes, o objetivo é simples: poupar tempo e energia na conclusão de uma tarefa. 

Em outras situações, a tecnologia funciona como ferramenta de apoio ao aprendizado e amplia o próprio desempenho. Essa distinção importa.

Usar IA para economizar horas em uma atividade repetitiva é diferente de usá-la para evitar o esforço necessário ao aprender algo novo. 

A primeira abordagem libera tempo e energia; a segunda treina o cérebro a depender cada vez mais de máquinas, aprofundando a dívida cognitiva.

O estudo do MIT não explorou em detalhes os motivos pelos quais as pessoas delegam tarefas, um hiato que estudos futuros precisarão preencher.

Isso leva a uma questão fundamental: quando ganhamos tempo usando inteligência artificial, o que fazemos com ele? 

Se uma tarefa que demandaria uma hora fica pronta em minutos com ajuda da tecnologia, esse tempo economizado financia um novo aprendizado ou apenas outro uso de máquinas?

A resposta determina se a IA funciona como ferramenta amplificadora ou substituta do pensamento. 

Investigações anteriores sobre ferramentas como o Google mostram que recursos externos podem contribuir para o aprendizado quando usados como apoio, não como substitutos do pensamento. 

A mesma lógica pode se aplicar à inteligência artificial.

Quem compreender essa diferença conseguirá ampliar os benefícios da tecnologia sem sacrificar as habilidades cognitivas que sustentam a inteligência.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Jeferson da Rosa

Jeferson da Rosa

Jornalista apaixonado pela profissão

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